A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) organizou, na manhã desta sexta-feira (15), a visita de quatro famílias que tiveram a moradia interditada em razão da explosão ocorrida na última segunda-feira (11) no Jaguaré, na zona oeste da capital, em unidades habitacionais viabilizados pela Companhia. O modelo decorado é localizado no Residencial Reserva Raposo. As quatro famílias aceitaram o atendimento no empreendimento e darão andamento na apresentação de documentos a partir da próxima semana.
As famílias afetadas poderão optar por alternativas habitacionais apresentadas pelo Governo de São Paulo, como transferência para apartamentos mobiliados da CDHU, carta de crédito para aquisição de imóvel e auxílio-aluguel até que imóveis sejam reconstruídos. O custeio das medidas habitacionais e da mobília será de responsabilidade da Sabesp e da Comgás.
Morador da região desde 2014, o autônomo Francisco Antonio Pereira Felipe, de 41 anos, afirmou que a família não se sente segura para retornar ao imóvel no Jaguaré. “Minha casa ficou bem no meio da área atingida. As laterais foram destruídas, o telhado voou e até a janela do nosso quarto foi parar na rua. A Defesa Civil deixou claro que não há segurança para voltar. Hoje, o mais importante para nós é conseguir recomeçar em um lugar seguro”, afirmou.

Durante a visita, Francisco e a filha, a estudante Maria Rita, de 18 anos, destacaram que o apartamento apresentado pela CDHU representa uma possibilidade concreta de reconstrução da rotina familiar. “Depois da explosão, nossa vida mudou completamente. A gente perdeu a tranquilidade e passou a conviver com o medo. O apartamento representa uma chance de seguir em frente com dignidade, segurança e um pouco de paz para a nossa família”, contou a jovem.
A estudante também ressaltou a importância da estrutura oferecida no empreendimento. “Além de ser um apartamento novo e mobiliado, a localização traz suporte para a nossa rotina. Saber que vamos ter acesso a serviços, transporte e segurança faz diferença nesse momento”, completou.
Francisco destacou ainda o acolhimento recebido do Estado após a tragédia. “Um dos nossos maiores desesperos era pensar para onde iríamos e como conseguiríamos recomeçar. Hoje, a gente se sente amparado e sabe que não vai ficar desassistido”, afirmou.
A dona de casa Rosana da Silva Faria, de 46 anos, também visitou uma das unidades oferecidas pela Companhia. Ela morava com o marido, e dois filhos gêmeos na casa que colapsou após a explosão. Segundo ela, a família perdeu todos os bens materiais e deixou o local apenas com a roupa do corpo.
“Eu só ouvi um barulho horrível, parecia que o mundo estava acabando. Quando fui ver, já estava no chão, arremessada para fora de casa. Perdemos tudo”, relata a mulher, que imediatamente aceitou a visita ao empreendimento na Zona Oeste, que decidiu aceitar. “O apartamento é muito bonito, confortável, e eu não quero voltar para lá. Aqui a gente vê que vai ter estrutura, escola, transporte e apoio. É um suporte muito importante para a nossa família nesse momento”, disse.
Desde a manhã da última quarta-feira, a CDHU atende as famílias atingidas pela explosão. “Nós estamos fazendo um cadastramento dessas famílias, conhecendo os problemas de cada uma delas e suas demandas. Desta forma, vamos conseguir fazer uma intermediação entre essas necessidades com as concessionárias que são as responsáveis pela indenização dessas famílias”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, Marcelo Branco.
Atuação integrada
O Governo de São Paulo mantém trabalho conjunto com as concessionárias Sabesp e Comgás no atendimento às famílias afetadas. Equipes da Defesa Civil, Fundo Social de São Paulo, CDHU, Arsesp e demais órgãos estaduais atuam no local com ações de acolhimento, assistência humanitária, suporte habitacional e vistorias técnicas nos imóveis. O governo também criou a Gerência de Apoio do Jaguaré, responsável por coordenar as ações emergenciais voltadas ao atendimento das vítimas e à recuperação da área atingida.
Segundo as concessionárias, 232 pessoas já receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil para despesas imediatas. As famílias também estão sendo acolhidas em hotéis e acompanhadas pelas equipes de assistência social. Todos os danos sofridos pelos moradores serão ressarcidos pelas empresas. As equipes da Sabesp e da Comgás já iniciaram as reformas das unidades atingidas no bairro. O Fundo Social de São Paulo, com apoio da Defesa Civil, segue realizando a entrega de doações para a comunidade.
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Com informações da Agência São Paulo
