Pacientes com infecção por HPV, principalmente pelos subtipos 16 e 18, e por HIV têm mais chances de desenvolver a doença; prevenção passa por vacinação, uso de preservativo e realização de exames de rastreio

Publicado em 31/07/2026 – 09:13

Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Cancerologia em 2020 apontou que o câncer acometerá até 50% dos indivíduos com HIV

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão relacionadas a casos de câncer de cabeça e pescoço, sobretudo pelo HPV (papilomavírus humano). Também aumenta as chances de desenvolver neoplasias a associação com comportamentos de risco, como o tabagismo e o consumo de álcool. A prevenção é feita por meio da vacinação contra o papilomavírus, do uso de preservativo nas relações sexuais e da realização periódica de exames de rastreamento.

As ISTs são provocadas por vírus, bactérias e outros microrganismos, transmitidos principalmente durante relações sexuais orais, vaginais ou anais sem uso de preservativo (externo ou interno) com uma pessoa infectada. Algumas dessas infecções estão associadas ao desenvolvimento de neoplasias por produzir células cancerígenas ou comprometer os mecanismos de defesa do organismo, como o HPV e o HIV, respectivamente.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo, Carlos Lehn, o HPV é um dos causadores comuns do câncer de orofaringe, que afeta a base da língua e a região das amígdalas. “Não são todos os tipos de papilomavírus humano que causam câncer; existem mais de 200 tipos. Porém, os subtipos 16 e 18, que são de alto risco para a neoplasia, produzem proteínas que desativam os mecanismos naturais de defesa do organismo contra tumores, favorecendo a proliferação descontrolada de células e o desenvolvimento da doença”, explica.

Segundo Lehn, a prática clínica indica que há cada vez mais casos de câncer de orofaringe associados ao HPV. Dados exclusivos do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos por tumores desse tipo aumentaram 48,8% entre 2021 e 2025, passando de 42.252 para 62.894 registros.

Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Cancerologia em 2020 apontou que o câncer acometerá até 50% dos indivíduos com HIV. No entanto, o vírus causador da aids – quando não controlado – não produz os tumores diretamente. “O HIV enfraquece o sistema imunológico, reduzindo a capacidade do organismo de combater alterações celulares. Além disso, pessoas que vivem com o vírus apresentam maior exposição a fatores de risco, como tabagismo e consumo de álcool, o que aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de cabeça e pescoço”, comenta o especialista.

Prevenção

A prevenção desses tumores de origem infecciosa inclui vacinação contra o HPV, uso de preservativos, adesão ao tratamento do HIV e realização periódica de exames de rastreamento, como avaliação da cavidade oral e da orofaringe para detecção precoce de lesões.

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Com informações da Agência São Paulo

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