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Home»São Paulo»Fapesp: bruxismo é recorrente em pessoas que sofrem de estresse pós-traumático
São Paulo

Fapesp: bruxismo é recorrente em pessoas que sofrem de estresse pós-traumático

RedacaoBy Redacaomaio 12, 2024Nenhum comentário4 Mins Read
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Estima-se que condição afete cerca de 4% das pessoas expostas a eventos violentos ou acidentais, como combate, tortura, ameaça de morte, balas perdidas, desastres naturais, lesões graves, entre outros

De acordo com estudo publicado na revista Clinical Oral Investigations, pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (Tept) frequentemente relatam que apertam ou rangem os dentes de forma constante durante o dia – hábito conhecido como bruxismo de vigília. O trabalho, que incluiu o exame clínico de aproximadamente 80 pacientes, entre casos e controles, chama a atenção para a importância de dentistas e psiquiatras trabalharem em conjunto no diagnóstico mais preciso dos dois problemas de saúde.

Conceito cunhado nos Estados Unidos, a partir do comportamento exibido por veteranos de guerra, o transtorno de estresse pós-traumático passou a abarcar, com o tempo, também vítimas de violência urbana. Estima-se que essa condição afete cerca de 4% das pessoas expostas a eventos violentos ou acidentais, como combate, tortura, ameaça de morte, balas perdidas, desastres naturais, lesões graves, violência física ou sexual e sequestros-relâmpagos.

“Considerando que, na região metropolitana de São Paulo, mais de 50% dos habitantes já foram expostos a algum tipo de trauma urbano, número comparável a áreas de conflito civil, é de grande importância entender as possíveis manifestações psicológicas e físicas do Tept, que podem perdurar por anos após o trauma”, diz Yuan-Pang Wang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-FM-USP) e coautor do estudo.

Entre esses sintomas estão a lembrança angustiante, involuntária e recorrente do evento, estado emocional negativo, comportamento autodestrutivo, alterações no padrão de sono e reação dissociativa (alterações em consciência, memória, identidade, emoção, percepção do ambiente e controle de comportamento), entre outros. Poucos trabalhos, no entanto, estudaram a relação do estresse pós-traumático com a dor orofacial e o bruxismo, que é definido como a atividade repetitiva do músculo da mastigação. Sua prevalência na população geral varia entre 8% e 30%.

Neste estudo apoiado pela Fapesp pacientes diagnosticados com Tept no Ambulatório de Trauma do Instituto de Psiquiatria da FM-USP foram encaminhados a um exame clínico que tinha como objetivo analisar sua saúde oral.

De acordo com os pesquisadores, além do bruxismo autorrelatado, pacientes também apresentaram uma diminuição do limiar de dor após o exame clínico.

“Foi constatado que a higiene bucal não estava relacionada ao problema”, conta Ana Cristina de Oliveira Solis, primeira autora do estudo. “A avaliação periodontal, que também incluiu mensuração do nível de placa bacteriana e sangramento gengival, mostrou que pacientes com estresse pós-traumático apresentaram nível de higiene bucal similar aos controles. Entretanto, os pacientes apresentaram mais dor após a sondagem.”

Tratamento multidisciplinar

De acordo com os pesquisadores, atualmente, o bruxismo não é mais considerado um sintoma isolado, mas evidência de um problema maior. “Nosso trabalho mostra que pode existir uma manifestação do transtorno de estresse pós-traumático em nível bucal, evidenciada pelo bruxismo e pelo maior nível de dor após o exame clínico odontológico. Isso demanda a atuação conjunta entre psiquiatras, psicólogos e dentistas, o que pode contribuir para o rastreamento e o tratamento das duas condições de saúde”, afirma Solis.

Para isso, a pesquisadora recomenda que, durante o exame clínico, o dentista fique atento ao relato de dor dos pacientes e considere a possibilidade de estar frente a uma pessoa com problemas psiquiátricos ainda não diagnosticados.

“O paciente que passou por um evento traumático pode sentir vergonha de falar sobre o assunto e procurar ajuda especializada; já o hábito de procurar atendimento odontológico é muito mais comum e frequente”, diz Solis. “Por isso, seria interessante que o dentista incorporasse ao seu atendimento de rotina instrumentos de screening (rastreamento) para transtorno mental e os aplicasse nesses pacientes. Também é importante saber aconselhar o paciente a buscar ajuda especializada.”

Os psiquiatras, por sua vez, podem questionar pacientes com Tept sobre sintomas bucais, como bruxismo, dor muscular e da articulação temporomandibular (ATM). Em caso positivo, devem encaminhá-lo ao dentista para que o tratamento multidisciplinar seja realizado e sua qualidade de vida melhore.

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Com informações do Governo de São Paulo

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