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Home»São Paulo»Bom controle glicêmico reduz declínio da mobilidade em idosos com diabetes, diz Fapesp
São Paulo

Bom controle glicêmico reduz declínio da mobilidade em idosos com diabetes, diz Fapesp

RedacaoBy Redacaojulho 21, 2024Nenhum comentário5 Mins Read
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A perda de velocidade de caminhada é um processo natural do envelhecimento que pode ser acentuado por um quadro de diabetes mal controlado
A lentidão da marcha em pessoas idosas está associada à perda de independência e ao maior risco de quedas, hospitalização, institucionalização e morte

Estudo realizado com 3.202 pessoas idosas mostrou que o controle adequado da glicemia, em diabéticos, é capaz de amenizar o declínio da velocidade de caminhada. A lentidão em pessoas idosas é um importante indicador de mobilidade e está associada à perda de independência e ao maior risco de quedas, hospitalização, institucionalização e morte.

Resultados do trabalho indicam que o mau controle glicêmico, e não o diabetes em si, é um discriminador do declínio da velocidade de caminhada em pessoas idosas independentemente das condições prévias de mobilidade e pode servir como uma ferramenta de triagem precoce para o risco de diminuição do desempenho funcional na população idosa.

“Já se sabia que o diabetes tinha um impacto negativo na velocidade da caminhada de pessoas idosas. O que não sabíamos, e o resultado do estudo nos surpreendeu muito, foi quanto o controle glicêmico adequado pode reduzir esse processo. Na comparação, as pessoas idosas com diabetes [controlado ou não] tiveram uma redução da velocidade de caminhada maior do que aquelas que não tinham a doença. No entanto, nos indivíduos com adequado controle glicêmico essa redução foi muito menor. Isso é mais um alerta para a importância de controlar o nível glicêmico”, diz à Agência Fapesp Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e orientador do estudo, que foi financiado pela Fapesp.

Vale destacar que, geralmente, o controle glicêmico é avaliado por meio dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) no sangue – parâmetro que reflete a quantidade de açúcar circulante. Nos indivíduos com diabetes, a meta glicêmica é atingida quando os níveis de HbA1c estão entre 6,5% e 7,0%, o que caracteriza o adequado controle glicêmico. Já níveis de HbA1c acima de 7,0% correspondem a um pior controle glicêmico.

O trabalho, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, é o primeiro a comparar a evolução do processo de lentidão entre pessoas idosas diabéticas com e sem adequado controle glicêmico.

Para isso, foi realizada a análise de um banco de dados de 3,2 mil britânicos com mais de 60 anos acompanhados por oito anos no âmbito do Projeto ELSA (acrônimo em inglês para Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento). Realizado por pesquisadores do University College London (Reino Unido), esse estudo longitudinal coleta dados multidisciplinares de uma amostra representativa da população britânica. A análise dos dados sobre diabetes e lentidão foi feita pelo grupo da UFSCar.

“O declínio anual da velocidade de caminhada nos participantes com diabetes e pior controle glicêmico foi de 0,015 metro por segundo [m/s] por ano, totalizando uma redução de 0,160 m/s em oito anos. Dado que a velocidade de caminhada para uma pessoa idosa deve ser superior a 0,8 m/s, o declínio verificado foi de um quinto do valor considerado normal. Já nos participantes com diabetes e adequado controle glicêmico, o declínio anual da velocidade de caminhada também ocorreu, mas foi de 0,011 m/s por ano, totalizando uma redução de 0,130 m/s em oito anos”, conta Mariane Marques Luiz, que conduziu a pesquisa durante seu doutorado na UFSCar.

LEIA TAMBÉM: Musculação melhora sintomas de depressão e ansiedade em idosos, diz estudo

Perda de função

Os pesquisadores explicam que a redução da velocidade de caminhada é o produto final de todo o processo que envolve a alta de glicose e ocasiona prejuízos visuais, neurológicos e musculares.

O diabetes é uma doença que tem impacto em diferentes órgãos do corpo, como os rins, os olhos, vasos sanguíneos, músculos e nervos. “Como o indivíduo com diabetes não produz ou produz menor quantidade de insulina – o hormônio responsável por colocar a glicose dentro das células – essa glicose fica aumentada na corrente sanguínea, gerando problemas nos vasos sanguíneos. Ela se liga às paredes dos vasos, gerando oxidação e aumento na formação de trombos e coágulos, mas, sobretudo, lesando o vaso sanguíneo”, detalha Alexandre.

O pesquisador explica que a lesão vascular ocasionada pelo diabetes prejudica também a nutrição dos nervos e dos músculos. “O processo de glicação nos nervos, nos músculos e nos olhos vai paulatinamente afetando todas as etapas da marcha. Vale lembrar que, para ter equilíbrio, é preciso, além de uma boa visão, ter músculos e nervos funcionando bem para levar informação sensitiva ao sistema nervoso central e gerar resposta motora. Mas, com todas essas perdas de função, a capacidade de caminhada fica prejudicada”, afirma.

É importante destacar que tratar o diabetes não consiste apenas em ter um controle glicêmico adequado. “Isso é importante, pois significa que a glicose não ficará livre na corrente sanguínea, ocasionando problemas. Mas o diabetes é uma doença muito mais complexa, podendo causar problemas no coração e nos rins, só para citar outros dois exemplos”, sublinha.

LEIA TAMBÉM: Andar ao menos 7,5 mil passos ao dia ajuda a reduzir sintomas de asma, diz estudo de SP

Lentidão

No estudo recentemente publicado, os pesquisadores também avaliaram se a velocidade de marcha anterior ao diabetes poderia influenciar na lentidão. Para isso, excluíram da análise os indivíduos que já apresentavam lentidão na caminhada. “Nessa segunda análise, com 2.126 participantes, verificou-se um declínio ainda maior da velocidade de caminhada nos participantes com diabetes e pior controle glicêmico. O declínio foi de 0,014 m/s por ano, ou um total de menos 0,222 m/s ao final dos oito anos, ou seja, mais de um quarto do valor considerado normal para uma pessoa idosa”, conta Luiz.

“Os achados evidenciam a importância de controlar adequadamente a glicose no sangue, ou seja, manter os níveis de hemoglobina glicada abaixo de 7,0% em pessoas idosas com diabetes. Desse modo se evita a perda acelerada na velocidade da marcha”, completa.

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Com informações do Governo de São Paulo

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