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Home»São Paulo»Alesp promove debate entre pesquisadores científicos sobre PLC que atualiza carreira no estado
São Paulo

Alesp promove debate entre pesquisadores científicos sobre PLC que atualiza carreira no estado

RedacaoBy Redacaooutubro 7, 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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Governo Estadual defende que mudanças incluídas no Projeto de Lei Complementar 9/2025 modernizam ocupação científica; por outro lado, entidades representativas afirmam inseguranças para continuidade de pesquisas; proposta será votada pelo Plenário da Casa

Matheus Batista – Fotos: Rodrigo Costa
 Pesquisadores científicos debatem PLC 9/2025 na Alesp


A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou, nesta terça-feira (7), uma audiência pública com pesquisadores científicos paulistas para debater as mudanças contidas no Projeto de Lei Complementar 9/2025, que tramita na Casa.
 

O debate, convocado pelo presidente da Alesp, deputado André do Prado, reuniu profissionais favoráveis e contrários à proposta do Governo Estadual para a carreira de pesquisador em São Paulo.
 

Na Mesa da audiência, que foi conduzida pelo deputado Gilmaci Santos (Repulbicanos), líder do Governo na Alesp, estiveram o secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento do Estado, Orlando Melo, e a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado (APqC), Helena Dutra Lutgens.
 

Representando o Executivo, Orlando Melo defendeu a modernização da carreira e explicou pontos da proposta. O PLC 9/2025 busca instituir novas disposições para a carreira de pesquisador científico no estado que, hoje, é regida pela Lei Complementar 125/1975.
 

Entre as principais mudanças propostas pelo Governo, estão a criação de seis níveis diferentes de progressão para pesquisadores públicos, uma jornada de trabalho de 40 horas semanais e um regime de dedicação exclusiva dos profissionais aos institutos de pesquisa estaduais. Tudo isso com a proposta de valorização salarial para os cientistas.
 

“Vamos reduzir em cerca de 10 anos o tempo para ascensão dos ingressantes da nova carreira, semelhante ao que acontece com as universidades hoje. É uma inovação que conseguimos”, defendeu o secretário-adjunto.
 

Visão contrária
 

Caso o projeto do Governo seja aprovado pela Alesp sem alterações, duas características da pesquisa científica existentes hoje deverão deixar de existir: o Regime de Tempo Integral (RTI) e a Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI), que fomenta a investigação científica e a formação de pesquisadores.
 

Essas mudanças se tornaram alvo de críticas de entidades representativas de cientistas paulistas. A presidente da APqC, Helena Lutgens, defendeu a manutenção do modelo atual da carreira.
 

“Só a pesquisa pública permite que um pesquisador leve muito tempo para descrever uma espécie, para criar unidades de conservação, desenvolver vacinas e tecnologias. A proposta mexe em pontos muito importantes que alteram a coluna dessa carreira”, afirmou.
 

Debate
 

O Projeto de Lei Complementar 9/2025 teve sua discussão iniciada na semana passada e há expectativa de ser votada pelo Plenário da Casa em breve.
 

Como parte da tramitação de projetos do Governo, a Alesp promoveu o debate público com parlamentares e pesquisadores de todo o estado.
 

Pesquisadores favoráveis à proposta defenderam que o PLC não representa um desmonte da carreira, mas sim a sua modernização, com a adaptação dos critérios de progressão aos padrões atuais de produtividade científica.
 

“Nosso salário está profundamente defasado e isso tem causado desânimo nos mais jovens, que são aqueles com 20 anos no serviço público. O cargo de PqC acabou se tornando um trampolim para os pesquisadores que amam a ciência, mas não encontram condições de permanecer no cargo. O PLC 9 é a solução imediata que a gente tem para mudar esse quadro”, afirmou a pesquisadora do Instituto Adolfo Lutz, Jaqueline Eserian.
 

Na mesma linha, a pesquisadora do Instituto Biológico, Simone Miyashiro, defendeu a possibilidade de maior crescimento com a nova carreira. “Vejo que, após anos de esquecimento, a nossa carreira hoje tem uma proposta concreta. Ainda tem questões que precisam ser melhoradas, mas tivemos a equalização de bons pontos. O modo de avaliação é o mesmo há pelo menos 20 anos e todos nós sabemos que muita coisa mudou no mundo todo nos últimos tempos. A modernização vai trazer estimulo e justiça”, disse.
 

Já o pesquisador Luis Marques, do Instituto de Pesca, criticou o novo regime proposto, o qual chamou de insegurança jurídica sem garantias. “O que se apresenta como modernização é, na verdade, um desmonte silencioso de uma carreira de Estado. A RTI não é um privilégio, é um instrumento de proteção da pesquisa pública que assegura continuidade, independência e qualidade.”
 

“A nossa atividade não se resume a um trabalho das 8h às 17h, com 40 horas semanais. Todos os cientistas sabem disso. A sustentabilidade técnica, política e até mesmo financeira será comprometida se abrirmos mão do Regime de Tempo Integral”, ressaltou Renato Barbosa, pesquisador que faz parte da Comissão do RTI.
 

Durante a audiência, parlamentares da Casa também manifestaram suas opiniões sobre a proposta. Estiveram presentes as deputadas Professora Bebel (PT), Beth Sahão (PT), Thainara Faria (PT) e Ediane Maria (Psol), e os deputados Enio Tatto (PT), Carlos Giannazi (Psol), Paulo Fiorilo (PT) e Donato (PT).
 

Confira a galeria de imagens da audiência
 

Assista à audiência pública, na íntegra, na transmissão feita pela Rede Alesp:

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