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Home»São Paulo»Pesquisadores desenvolvem composto químico com potencial contra doença de Alzheimer
São Paulo

Pesquisadores desenvolvem composto químico com potencial contra doença de Alzheimer

RedacaoBy Redacaonovembro 8, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) desenvolveu um novo composto químico com potencial para o tratamento da doença de Alzheimer. A pesquisa, que envolveu simulações computacionais (in silico), testes de cultura celular (in vitro) e experimentos em animais (in vivo), obteve resultados promissores. O grupo busca agora uma parceria com empresas farmacêuticas para a realização de ensaios clínicos.

Os novos compostos, desenvolvidos com o apoio da Fapesp, têm síntese simples e acredita-se que atuem degradando as placas beta-amiloides que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer. Essas placas são formadas por fragmentos de peptídeo amiloide que se depositam entre os neurônios causando inflamação e interrompendo a comunicação neural.

De acordo com o estudo publicado na revista ACS Chemical Neuroscience, o diferencial dos compostos está em atuarem como um quelante de cobre, ou seja, uma molécula capaz de se ligar ao elemento metálico presente em excesso nas placas de beta-amiloide, promovendo sua degradação e, com isso, reduzindo os sintomas da doença. Nos testes realizados em ratos, o composto químico minimizou a perda da memória, a dificuldade de noção espacial e de aprendizado dos roedores, além de bioquimicamente haver uma reversão no padrão das placas beta-amiloide.

“Há cerca de uma década, estudos internacionais começaram a apontar a influência dos íons de cobre como um agregador das placas de beta-amiloide. Descobriu-se que mutações genéticas e alterações em enzimas que atuam no transporte do cobre nas células poderiam levar ao acúmulo de elemento no cérebro, favorecendo a agregação dessas placas. Dessa forma, a regulação da homeostase [equilíbrio] do cobre tem se tornado um dos focos para o tratamento do Alzheimer”, explica Giselle Cerchiaro, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC, que coordenou o estudo.

Com base nesse conhecimento, o grupo de pesquisadores sintetizou uma série de moléculas capazes de atravessar a barreira hematoencefálica (que protege o cérebro) e remover o cobre das placas beta-amiloides. Das dez moléculas desenvolvidas no estudo, três foram selecionadas para testes em ratos com Alzheimer induzido, sendo que uma delas se destacou por sua eficácia e segurança.

O trabalho foi o objeto da tese de doutorado da bolsista da Fapesp Mariana Camargo, da dissertação de mestrado de Giovana Bertazzo e de iniciação científica de Augusto Farias. O projeto de pesquisa também contou com a colaboração do grupo de pesquisa liderado por Kleber Thiago de Oliveira, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na síntese de um dos compostos estudados.

Nos testes com ratos, o composto reduziu a neuroinflamação, o estresse oxidativo e restaurou o equilíbrio de cobre no hipocampo – região cerebral associada à memória. Os animais tratados com a substância também apresentaram melhor orientação espacial.

Além dos resultados comportamentais, os testes mostraram que o composto não foi tóxico em culturas de células do hipocampo nem nos animais, cujos sinais vitais foram monitorados ao longo do experimento. Simulações computacionais confirmaram a capacidade do composto de atravessar a barreira hematoencefálica e atuar diretamente nas áreas afetadas.

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa complexa e multifatorial que ainda não tem cura ou causa definida. Apesar de sua alta prevalência – estima-se que 50 milhões de pessoas convivam com a doença em todo o mundo –, as opções terapêuticas ainda são limitadas, oferecem apenas alívio dos sintomas ou consistem em medicamentos complexos como anticorpos monoclonais.

O estudo da UFABC gerou um pedido de patente e agora os pesquisadores buscam parcerias com empresas para iniciar os testes clínicos em humanos. “É uma molécula extremamente simples, segura e eficaz. O composto que desenvolvemos tem um custo baixíssimo em comparação com os medicamentos disponíveis. Portanto, mesmo que funcione apenas para uma parte da população, pois a doença de Alzheimer tem causa multifatorial, já representaria um avanço imenso frente às opções atuais”, comemora Cerchiaro.

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Com informações da Agência São Paulo

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