O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e da Fundação ITESP, anunciou nesta quinta-feira (20) uma nova linha de crédito voltada exclusivamente para a agricultura quilombola, pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). A iniciativa disponibiliza R$ 3 milhões para apoiar a produção agrícola desenvolvida em territórios quilombolas reconhecidos e reforça o compromisso do Estado com políticas de inclusão produtiva, regularização fundiária e desenvolvimento rural sustentável.

A ação ocorre em um contexto de avanços concretos na política quilombola paulista. Em 2025, São Paulo reconheceu a comunidade Ilhas, em Barra do Turvo, alcançando 37 territórios quilombolas oficialmente reconhecidos pelo Estado. Desse total, 11 já foram titulados em áreas públicas estaduais. Em fevereiro deste ano, o governador Tarcísio de Freitas entregou dois novos títulos às comunidades de Pedro Cubas de Cima, em Eldorado, e Praia Grande, em Iporanga, consolidando o planejamento apresentado às lideranças quilombolas em novembro de 2024, quando a Secretaria de Agricultura detalhou um cronograma de trabalho para a titulação de 13 territórios. Dois já foram titulados e mais dois devem ser concluídos até o fim de 2025.

Entrega dos títulos de regularização às comunidades Pedro Cubas de Cima (Eldorado) e Praia Grande (Iporanga), em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes em fevereiro de 2025 Foto: Governo de SP

A nova linha de crédito, Projeto FEAP Agricultura Quilombola, foi estruturada de forma específica para atender às necessidades e particularidades produtivas das comunidades quilombolas. O Estado identificou uma demanda crescente por crédito rural adaptado a esse público, que historicamente enfrenta barreiras no acesso às políticas de financiamento convencionais, especialmente pela informalidade produtiva, ausência de documentos formais de renda e características próprias da organização comunitária. A operacionalização será iniciada a partir do mês de dezembro, por meio das unidades do Itesp e da CATI no interior paulista.

A linha oferece até R$ 40 mil por beneficiário, permitindo financiar implantação, ampliação ou modernização das atividades agrícolas, agroindustriais e de comercialização conduzidas nas comunidades. Com esse valor por produtor e um investimento total de R$3 milhões, a capacidade inicial de atendimento do programa é de aproximadamente 150 a 200 agricultores quilombolas, considerando o valor médio dos empréstimos realizados pelos mais de 140 agricultores quilombolas que já acessaram o crédito rural paulista por meio de linhas não exclusivas às comunidades remanescentes.

LEIA TAMBÉM: Governo de SP amplia segurança habitacional com construção de moradias gratuitas em comunidades quilombolas

Entre os diferenciais, a linha permite a autodeclaração de renda acompanhada por validação técnica da CATI ou do ITESP, garantindo inclusão sem abrir mão da segurança técnica do crédito. As condições incluem juros de 3% ao ano com bônus de adimplência, prazos de até 84 meses e até 12 meses de carência, com acompanhamento dos técnicos extensionistas conforme o modelo do fundo paulista. O lançamento ocorre no Dia da Consciência Negra, reforçando o simbolismo da medida e o reconhecimento do Estado à contribuição histórica dos quilombos e das comunidades negras rurais para a formação social, cultural e ambiental de São Paulo. A combinação entre avanço fundiário, assistência técnica e acesso ao crédito fortalece a autonomia produtiva das comunidades, promove geração de renda e consolida uma política pública permanente voltada ao desenvolvimento sustentável dos territórios quilombolas.

O acesso ao crédito é realizado por meio dos escritórios regionais da Fundação Itesp no link https://www.itesp.sp.gov.br/?page_id=126 ou nas Casas da Agricultura da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), na Casa da Agricultura do município

source
Com informações da Agência São Paulo

Share.

Deixe uma respostaCancelar resposta

Exit mobile version