Estudantes da EMEF Celso Leite inauguram Academia Estudantil de Letras dedicada ao Mestre Ananias na Bela Vista

Iniciativa reúne literatura, artes e ancestralidade em projeto conduzido por professores e jovens artistas

Publicado em: 27/11/2025 9h00 | Atualizado em: 27/11/2025
O trabalho realizado pelos professores Loan Leblon e Kleiton Ferreira com os estudantes ao longo deste ano deu origem à criação da Academia Estudantil de Letras (AEL) Mestre Ananias. As atividades envolveram pesquisas, diálogos e vivências sobre a identidade negra do território, especialmente nos bairros da Liberdade, Bela Vista, Bixiga e Glicério, marcados pela presença histórica da cultura negra.

Esse movimento aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Celso Leite Ribeiro Filho, na Bela Vista, centro da capital, e reforça a importância de valorizar a memória cultural da região. A nova Academia Estudantil de Letras passa a integrar o conjunto de AELs da Rede Municipal de Ensino, sendo a 179ª fundada entre as 265 que já têm seus patronos definidos.

Para o professor Loan Leblon, um dos idealizadores do projeto na escola, a escolha do patrono reflete essa busca coletiva por reconhecer e celebrar referências locais. “Durante o ano, fizemos um trabalho sobre o resgate da identidade negra do território. Para a escolha do patrono da AEL levamos em consideração essa necessidade de trazer de volta a memória”, explica.

A partir desse olhar territorial, a comunidade escolar decidiu homenagear o capoeirista Mestre Ananias, figura central da capoeira no Brasil e da roda mais antiga de São Paulo. Os estudantes resgataram composições do mestre, depoimentos de familiares, amigos e outros mestres, além de referências em obras e pesquisas sobre sua trajetória.

A Academia Estudantil de Letras Mestre Ananias foi oficialmente inaugurada no Teatro da Umes, no início de novembro,  em uma celebração que reuniu literatura, capoeira, teatro e música. A cerimônia marcou a consolidação do trabalho desenvolvido ao longo de 2025 e destacou o protagonismo dos estudantes, que agora salvaguardam o legado do mestre como parte da história da escola.

A escolha do patrono

À esquerda, estudantes da AEL em vivência na Casa Mestre Ananias, conhecendo a história e a tradição da capoeira no território. À direita, visita à Coleção São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade, para pesquisa de registros históricos da Bela Vista e região.

A escolha pelo capoeirista Mestre Ananias como patrono foi impulsionada pelas estudantes Lívya Galeno Ferreira e Aline Maria Pantoja da Pureza, uma vez que as duas possuem forte vínculo com a Casa do Mestre Ananias. Capoeirista e integrante da Casa, Lívya trouxe para a escola sua experiência na capoeira e a partir disso, o projeto pode ter discussões sobre ancestralidade, corpo, oralidade e cultura negra, não só aproximando os estudantes da história do mestre, quanto despertando o interesse de alguns pela capoeira. As duas participaram ativamente de pesquisas, atividades culturais e processos artísticos ao longo do ano, fortalecendo o sentido comunitário da AEL.

Como a AEL foi construída

A criação da Academia foi impulsionada pela experiência do professor Loan, recém-chegado da Diretoria Regional de Educação (DRE) Santo Amaro, onde atuava na orientação de AELs. Junto ao professor Kleiton Ferreira, de Língua Portuguesa e teatro, a escola reuniu estudantes engajados e interessados em transformar a realidade por meio da arte e da literatura.

A escolha do patrono foi precedida por um processo de apresentação de autores, estudos, pesquisas e seminários que permitiram aos estudantes consolidar seus “amigos literários”, que são escritores com os quais se identificam e dialogam ao longo da formação. A territorialidade da escola, somada ao vínculo das estudantes com a Casa do Mestre Ananias, fortaleceu a decisão de homenagear o capoeirista.

A partir dessa escolha, a AEL Mestre Ananias passou a dialogar com diferentes formas de literatura, especialmente a palavra oral e a musicalidade da capoeira, historicamente marginalizadas nos registros formais. O grupo aprofundou reflexões sobre literatura, ancestralidade e corpo político, ampliando o repertório da comunidade escolar.

Vivências e atividades culturais

O grupo participou de visitas à Biblioteca Mário de Andrade, ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, à Câmara Municipal, à FliSampa e a espetáculos teatrais da região. A localização central da escola favoreceu o deslocamento por transporte público, fortalecendo o contato dos estudantes com a cidade e com os equipamentos culturais próximos. Em agosto, a escola realizou seu primeiro Chá Literário, com apresentações, performances e debates que culminaram na aprovação do nome do patrono.

 


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Com informações da Prefeitura de São Paulo

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