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Home»São Paulo»Semente de planta comum no Brasil mostra potencial para remoção de microplásticos da água
São Paulo

Semente de planta comum no Brasil mostra potencial para remoção de microplásticos da água

RedacaoBy Redacaomarço 8, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Estudo desenvolvido no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em São José dos Campos, mostra que a moringa ou acácia-branca (Moringa oleifera) tem potencial para a remoção de microplásticos da água.

O trabalho foi publicado na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química.

Originária da Índia, a moringa é bastante adaptada a diferentes países tropicais e é usada para diversos fins, como a alimentação, pelo consumo de suas folhas e sementes com valor nutricional. Há alguns anos, as sementes têm sido estudadas por seu potencial no tratamento de água.

“Mostramos que o extrato salino das sementes tem uma performance parecida ao do sulfato de alumínio, usado em estações de tratamento para coagular a água com microplásticos. Em águas mais alcalinas, ele teve um desempenho até melhor do que o produto químico”, conta Gabrielle Batista, primeira autora do estudo, realizado como parte de seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECA) da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) da Unesp.

O trabalho é coordenado por Adriano Gonçalves dos Reis, professor do ICT-Unesp e do PPGECA da FEB-Unesp, que também coordena o projeto “Filtração direta e em linha para remoção de microplásticos da água de abastecimento”, apoiado pela FAPESP.

“A única desvantagem encontrada até agora em relação ao sulfato de alumínio foi o aumento de matéria orgânica dissolvida, cuja remoção poderia encarecer o processo. No entanto, em pequenas escalas como propriedades rurais e pequenas comunidades, o método poderia ser usado com baixo custo e eficiência”, diz Reis.

Semente de moringa: extrato salino gerou coagulação necessária para a filtração de microplásticos (foto: Adriano Reis/ICT-Unesp)

O estudo teve como foco o tratamento de água via filtração em linha, em que a água é coagulada, desestabilizando as partículas, e segue para um filtro de areia. Esse tipo de tratamento é indicado para águas com baixa turbidez, mais claras, que não demandam tantos processos antes da filtração.

A coagulação é essencial porque poluentes como o microplástico, que possuem carga elétrica negativa em sua superfície, se repelem, assim como repelem a areia contida nos filtros de tratamento de água. Coagulantes como o extrato salino de moringa, que pode ser feito mesmo em casa, e o sulfato de alumínio neutralizam essa carga, fazendo com que os poluentes se unam e possam ser filtrados.

Em estudo anterior, o grupo mostrou a eficácia da semente de moringa para coagulação num ciclo completo de tratamento de água, que envolve ainda floculação, sedimentação e filtração. O trabalho teve como primeiro autor Luiz Gustavo Rodrigues Godoy, que realizou mestrado com bolsa da FAPESP na FEB-Unesp.

Experimentos

Para testar a eficácia do método de tratamento de água, os pesquisadores utilizaram água da torneira, que contaminaram experimentalmente com policloreto de vinila, mais conhecido pela sigla PVC.

Microplásticos dessa fonte específica foram escolhidos por estarem entre os mais perigosos para a saúde humana, dado o documentado potencial mutagênico e cancerígeno do PVC, além da sua prevalência tanto na superfície de corpos d’água quanto na água tratada por processos tradicionais.

O PVC foi envelhecido artificialmente utilizando irradiação de raios ultravioleta, que mimetiza a ação de processos naturais e reproduz as propriedades dos microplásticos envelhecidos naturalmente.

A água contaminada por microplásticos passou pelo processo de coagulação e filtração no chamado Jar Test, equipamento que reproduz em pequena escala os processos de tratamento de água. Os resultados foram comparados aos dos mesmos testes realizados em água com sulfato de alumínio, composto usado nos tratamentos tradicionais.

A contagem das partículas de microplásticos, antes e depois do tratamento, foi realizada utilizando microscopia eletrônica de varredura (MEV). O tamanho dos flocos formados pelos diferentes tratamentos foi medido usando uma câmera de alta velocidade e um feixe de laser, sem encontrar diferenças significativas na remoção das partículas.

O grupo agora testa o extrato de semente de moringa usando água diretamente coletada no rio Paraíba do Sul, que abastece São José dos Campos. Nos experimentos realizados até agora, o produto tem se mostrado bastante eficiente no tratamento da água natural.

“Há um escrutínio regulatório cada vez maior e uma preocupação com a saúde sobre o uso de coagulantes baseados em alumínio e ferro, pelo fato de não serem biodegradáveis, além de deixarem toxicidade residual e apresentarem risco de doenças. Por isso, tem-se intensificado a busca por alternativas sustentáveis”, encerra Reis.

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Com informações da Agência São Paulo

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