Com informações da Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo
Trajetórias diversas e inclusivas mostram como a qualificação profissional tem transformado a vida de mulheres no território
Publicado em: 27/03/2026 18h14 | Atualizado em: 27/03/2026 
No mês da mulher, o Centro Municipal de Capacitação e Treinamento (CMCT) Professor Vandyr da Silva, em São Miguel Paulista, tem atuado para dar protagonismo a histórias de mulheres que decidiram construir trajetórias de superação e enfrentar desafios em busca de qualificação profissional.
Para a Coordenadora Pedagógica, Jeane Vilaça Muller, há três meses à frente da coordenação do CMCT, ser formadora, assim como ser mulher na sociedade, é estar sempre se questionando sobre rótulos prontos e estigmas perpetuados por uma sociedade. “Mais do que ensinar conteúdos, é acreditar no potencial de cada mulher, de cada estudante que está aqui, inclusive no meu. É acompanhar, orientar e construir caminhos juntos, com base nas orientações da RME”, comenta Jeane.
O CMCT oferece cursos gratuitos de curta duração voltados a jovens, adultos e idosos, considerando a diversidade do território. Entre as formações, destaca-se a crescente participação feminina, inclusive em áreas tradicionalmente ocupadas por homens, como elétrica e mecânica. Há, também, um aumento da procura por parte de estudantes com deficiência.
Com um espaço que conta com uma gestão conduzida por mulheres, a diretora unidade, Maria Marcionilia Bruno, destaca que o protagonismo feminino se evidencia a cada dia, especialmente entre as estudantes matriculadas nos cursos de mecânica e elétrica. “Elas mostram a outras mulheres como é importante estar onde querem estar. O fazer dessas mulheres, todos os dias, demonstra a cada um de nós como é importante se renovar e desejar que as coisas mudem, já que esses cursos são historicamente associados a profissões masculinas. Elas nos mostram que essas profissões também podem ser desempenhadas por mulheres. Além da busca por qualificação, elas também encontram acolhimento e valorização”, pontua Maria.
As cursistas, que rompem estereótipos ao ingressarem nos cursos de elétrica e mecânica, relatam suas experiências sobre como é iniciar uma formação diferente do esperado. Para as estudantes Rosa Maria de Moreira e Matilde Maria Felix, que protagonizam suas histórias utilizando ferramentas como alicates, chaves de fenda, martelo e marreta, o relato é de orgulho: “O nosso lugar é onde queremos estar e onde acreditamos — inclusive, na mecânica”, completam as cursistas. Já a estudante de elétrica, Silvia Donizete, acredita que não existe espaço nem tempo determinados para conquistar um lugar no mercado profissional. “Somos curiosas e temos interesse em aprender e, por isso, estou cursando elétrica pela terceira vez. Vou aprender ainda mais, com coragem e humildade”, relata Silvia.
Entre os destaques também, estão histórias de superação que inspiram: uma estudante mais velha que cursa informática, enfrentando e vencendo o etarismo; uma estudante público-alvo da educação especial, com autismo, matriculada em confeitaria; além da valorização da ancestralidade e da cultura por meio de uma professora negra que compartilha seus saberes na panificação.
O CMCT vai além de um ambiente que possibilita cursos profissionalizantes: é um espaço que acolhe e considera a realidade diversa do território, seguindo a tríade das concepções da SME, ao promover diversidade, igualdade e inclusão.
A estudante Maria das Graças Silva, de 69 anos, é a mais velha da turma de informática, e a idade nunca foi um empecilho para conquistar seu lugar no ambiente digital. “É a primeira vez que faço um curso de informática. Demorei para começar porque achava que não tinha capacidade. Hoje, me surpreendo com o que consigo desenvolver. Aquilo que eu pensava que era difícil, hoje faço com facilidade. Consigo realizar todos os meus exercícios com tranquilidade”, destaca Maria.
A procura de estudantes público-alvo da educação especial por cursos no CMCT também é promissora. A cursista Bruna Veloso Sabino é autista e encontrou na confeitaria uma forma de colocar a mão na massa, preparando diversas receitas e desenvolvendo suas habilidades. “Falamos muito de igualdade, mas hoje precisamos de equidade. Aqui eu aprendo muito, pois eles adaptam as atividades às minhas limitações, e me sinto muito segura, pois tenho acolhimento”, reforça Bruna.
Para quem deseja se profissionalizar, os cursos têm duração média de dois meses. As próximas inscrições estarão abertas nos meses de abril, junho e setembro, para turmas de Auxiliar de Logística, Auxiliar de Mecânico Automotivo, Recursos Humanos, Confeitaria, Elétrica, Informática, Marketing Digital e Panificação. Mais informações e links para inscrição estão disponíveis na página do Instagram da unidade.
Acompanhe as notícias da Rede Municipal de Ensino.


