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Home»São Paulo - Capital»CPI do Metanol: mulher condenada em caso de adulteração de bebidas presta esclarecimentos
São Paulo - Capital

CPI do Metanol: mulher condenada em caso de adulteração de bebidas presta esclarecimentos

RedacaoBy Redacaoabril 15, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

Nesta terça-feira (14/4), os integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Metanol ouviram Vanessa Maria da Silva. Ela foi detida em flagrante por falsificação de bebidas em uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em outubro de 2025. O local é apontado pelas investigações como a origem das garrafas consumidas por duas pessoas no Torres Bar, na Mooca, zona leste da capital. Dois meses após da prisão, a moça foi condenada em 1ª instância a sete anos de reclusão.

Vanessa participou da reunião de forma remota, da Penitenciária Feminina Sant’Ana. A mulher admitiu a adulteração de bebidas desde 2021. A depoente explicou que o processo de envasilhamento enchia garrafas de marcas mais caras com produtos similares de baixo custo. De acordo com ela, os clientes tinham ciência da procedência.

“Eu fui sentenciada por um artigo que eu não cometi. Eu cometi erros, sim, de adulteração de bebidas. Comprava bebidas alcoólicas com valores inferiores na Adega Ramos Lima, localizada na Avenida dos Alvarengas. Eu me direcionava à rede de mercados Atacadão, comprava marcas de bebidas inferiores e engarrafava. Assim eu distribuía”, falou Vanessa.

A depoente alegou que todos os produtos comprados possuíam nota fiscal. Vanessa negou a adição de etanol ou metanol às misturas. “Se eu adulterava bebida, a bebida tinha procedência de originalidade. Como eu citei o nome dos lugares, que possuem câmeras e podem confirmar eu entrando e saindo com essas bebidas, elas possuíam nota. E isso, para mim, foi uma novidade, porque desconheço isso do metanol. Eu estava cometendo o erro da adulteração, mas não da falsificação. Então, uma vez que a bebida era original, ela não poderia oferecer nenhum risco ou dano à saúde de uma pessoa”.

Questionada pelo vereador Sargento Nantes (PP) se ela agia sozinha, Vanessa respondeu que sim e declarou arrependimento. A mulher reforçou que o volume de vendas era baixo. “Não eram quantidades absurdas, era só porque eu estava passando por um processo de dificuldade com a minha filha e eu recorri ao lado errado, mas eu também não podia agir de outra forma. Como mãe, eu via minha filha sentindo vontade de comer ou beber alguma coisa e eu não tinha o recurso”.

Vanessa Maria da Silva não citou o nome dos clientes. A moça alegou que não se recordava dos contatos, mas informou que encaminhará a lista por intermédio do advogado e que as informações estão com a polícia.

Relato de vítimas

Também nesta terça, os parlamentares da CPI ouviram Josy Perdigão, mãe de Leonardo Lima, de 24 anos. O jovem perdeu a visão após ser intoxicado por metanol em uma festa em setembro do ano passado. A ex-motorista de aplicativo fez um desabafo. “Eu sou mãe de quatro filhos e nunca na minha vida envenenei alguém para sustentar a minha família. A senhora (Vanessa) é mãe, coloque a mão na consciência. Quando a senhora sair daí, faça outra coisa, tem coisa para sustentarmos nossa família dignamente, sem precisar destruir a vida das pessoas”.

Leonardo Lima disse que a bebida adulterada não trouxe apenas danos à saúde. Segundo ele, os problemas foram além da cegueira. “Eu perdi tudo, perdi meu sonho, hoje não tenho vontade de nem viver mais”.

Vereadores

A presidente da CPI, vereadora Zoe Martínez (PL), falou sobre os depoimentos. A parlamentar espera que o apelo de Josy sensibilize Vanessa a colaborar com as investigações. “Espero que entregue as pessoas que estão com ela e colabore com a Justiça. Algumas coisas ficaram meio soltas, mas quem sabe ela coloque a mão na consciência e se recapacite”.

A vice-presidente do colegiado, vereadora Ely Teruel (MDB), destacou a relevância dos trabalhos desta terça-feira. “Acho que se conseguirmos cada vez mais depoimentos como o dela, será muito importante. Da mesma forma que queremos cuidar das pessoas com carinho, também queremos descobrir onde exatamente está o comércio ilegal e onde estão sendo feitas essas fabricações”.

Requerimentos

A CPI aprovou dois requerimentos pela relatora do colegiado, vereadora Sandra Santana (MDB). O primeiro documento convida a Conatrec (Confederação Nacional de Cooperativas de Trabalho e Produção de Recicláveis) para prestar informações. Já o segundo, intima Pedro Fernandes, apontado por Vanessa como o fornecedor dos vasilhames de vodca e gim utilizados na adulteração.

A reunião foi conduzida pela vereadora Zoe Martínez (PL) e contou com a presença dos vereadores Ely Teruel (MDB), Sandra Santana (MDB), Adrilles Jorge (UNIÃO), Celso Giannazi (PSOL) e Sargento Nantes (PP).

A íntegra da reunião está disponível aqui.

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