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Home»São Paulo»Por que quando os hormônios mudam, o emagrecimento torna-se mais desafiador? Entenda
São Paulo

Por que quando os hormônios mudam, o emagrecimento torna-se mais desafiador? Entenda

RedacaoBy Redacaomaio 3, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Para muitas mulheres, o emagrecimento após a menopausa deixa de ser apenas uma questão de disciplina e passa a envolver também mudanças profundas no funcionamento do corpo. Alterações hormonais impactam o metabolismo, favorecem o acúmulo de gordura e influenciam o apetite, além de estarem associadas a um maior risco de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.

Um estudo recente da Mayo Clinic – uma organização sem fins lucrativos, focada em atendimento clínico, educação e pesquisa – publicado na revista The Lancet, na editoria de Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, trouxe um novo elemento a essa discussão: mulheres na pós-menopausa que combinaram terapia hormonal com a tirzepatida, medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, apresentaram uma perda de peso até 35% maior em comparação às que utilizaram apenas o fármaco.

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Os resultados reacenderam o debate sobre os desafios do emagrecimento nessa fase e o papel que a terapia hormonal pode ou não desempenhar nesse processo. Para a doutora em Fisiologia da Reprodução Isabelle Rodrigues dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, que pesquisa os efeitos da terapia hormonal na resposta ao estresse em modelo animal de perimenopausa, o emagrecimento tende a se tornar mais difícil nessa fase por diferentes fatores, principalmente pela queda do estrogênio. “Com a redução do hormônio ao longo da vida, especialmente na perimenopausa e na menopausa, acontecem mudanças na composição corporal, como o aumento de gordura, especialmente na região abdominal, perda de massa muscular e alterações no metabolismo como um todo. Não é só uma questão de hábito de vida, existe também uma base fisiológica importante que dificulta o controle de peso nessa fase”, comenta.

Segundo Isabelle, a resposta ao estresse também exerce influência importante sobre o metabolismo nesse período. “Isso acontece porque a menopausa não envolve apenas as mudanças hormonais, mas também sintomas, como ondas de calor, conhecidos também como fogachos, suores noturnos, a piora do sono, afetando diretamente o bem-estar da mulher. Quando a mulher está com o sono ruim, causa mais ansiedade e desconforto físico, impactando a motivação e a capacidade de manter os hábitos saudáveis, tanto com uma alimentação mais equilibrada ou a prática regular de atividade física. Tudo isso fazendo com que a mulher ganhe peso e tenha dificuldade em emagrecer”, completa.

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Terapia hormonal e qualidade de vida

Nesse contexto, a terapia hormonal surge como uma forma indireta de modular a resposta ao estresse, ao contribuir para a melhora dos sintomas da menopausa e favorecer mais disposição e regularidade nos hábitos de vida. “A melhora inclui desde dormir melhor até conseguir manter uma rotina de alimentação mais saudável. Embora não seja um tratamento direto para o emagrecimento, a terapia hormonal pode melhorar o contexto fisiológico dessas mulheres, o que acaba impactando também o controle do ganho de peso, até porque a terapia atua sobre os níveis de estrogênio, contribuindo para a volta da regularidade no aspecto metabólico geral”, explica a pesquisadora.

Para o ginecologista Rui Alberto Ferriani, também professor da FMRP, a terapia hormonal é indicada principalmente para mulheres que apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor, ou quadros de atrofia genital. Nesses casos, o uso de estrogênio é considerado a opção mais adequada. A terapia, no entanto, não é recomendada para pacientes que não desejam utilizá-la ou que apresentam contraindicações importantes, entre as principais estão os cânceres dependentes de estrogênio, como o de mama, além do risco aumentado de trombose. “Antes de iniciar qualquer tratamento, temos sempre que avaliar a sua indicação e se existem contraindicações. A principal indicação é ainda quando se tem um excesso de peso, seja sobrepeso ou obesidade e que tenha um comprometimento metabólico com alteração de função hepática, alterações do colesterol, glicemia e da hemoglobina glicada”, relata.

Tirzepatida e novas evidências

De acordo com Ferriani, a indicação da tirzepatida está relacionada principalmente à obesidade ou ao sobrepeso com repercussões clínicas, e não ao fato de a mulher estar na menopausa. “Esse trabalho que surgiu agora fez uma relação entre um possível benefício da medicação, para perda de peso em mulheres que usam terapia hormonal, mas a indicação não muda em relação à indicação para terapia hormonal, que são os sintomas vasomotores, e à indicação para tirzepatida, que é a alteração de peso corporal com indicação metabólica”, afirma.

Isabelle ressalta que as duas abordagens atuam por mecanismos distintos, mas potencialmente complementares. “Além disso, o estrogênio auxilia a modular esses mecanismos relacionados ao controle do apetite, e então, possivelmente, potencializando os efeitos de medicamentos como a tirzepatida. Mas é muito importante destacar que é um estudo de observação, ou seja, ainda não podemos afirmar causa e efeito, é apenas em uma associação possível que os dados têm demonstrado esse efeito complementar.”

Hábitos de vida como base do tratamento

Para mulheres com dificuldade em perder peso, Ferriani destaca que a base do tratamento continua sendo a mudança no estilo de vida. “Não adianta nada pensar em remédio sem modificação de hábitos de vida, e esses hábitos incluem a perda de peso com uma dieta um pouco mais controlada e atividade física persistente, esses são os principais procedimentos. Os remédios são adjuvantes na história, porque é preciso lembrar que os estudos têm mostrado que quando se tira o remédio, se não houve uma modificação do estilo de vida, a tendência é a ganho de peso posterior. Os remédios devem ser utilizados se houver uma indicação médica, um comprometimento metabólico, nesse momento a perda de peso vai ajudar a beneficiar essas pacientes”, conclui o ginecologista.

Perimenopausa e menopausa

Segundo Isabelle, a perimenopausa é um período de transição que pode durar até dez anos, geralmente a partir dos 45 anos, e marca a fase final da vida reprodutiva da mulher. Já a menopausa corresponde ao encerramento dessa fase e é diagnosticada de forma retrospectiva. “Por exemplo, a mulher que menstruou pela última vez há 12 meses, a menopausa dela foi estabelecida há 12 meses. Ela precisa ter passado pelo menos um ano sem nenhuma menstruação para realmente ter pontuado quando foi o início dessa nova fase da vida dela.”

É nesse momento que ocorre o encerramento da função reprodutiva, acompanhado de uma queda mais acentuada dos hormônios, de acordo com Isabelle. “Ainda assim, é na perimenopausa que a maioria dos sintomas costumam aparecer, os ciclos menstruais tornando-se irregulares, com intervalos maiores ou sangramentos mais intensos, frequentemente gerando dúvidas. Nesses casos, a avaliação clínica, associada a exames hormonais e ao acompanhamento com o ginecologista, é fundamental para o diagnóstico adequado”, finaliza.

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Com informações da Agência São Paulo

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