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Home»São Paulo»Combinar exercícios aeróbicos e tarefas cognitivas pode beneficiar pacientes com Parkinson, mostra pesquisa
São Paulo

Combinar exercícios aeróbicos e tarefas cognitivas pode beneficiar pacientes com Parkinson, mostra pesquisa

RedacaoBy Redacaomaio 4, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP investigaram se a adição de tarefas cognitivas pode aumentar os benefícios do exercício aeróbio em pessoas com Parkinson, que sofrem com sérias perdas das funções cognitivas e motoras, causando tremores, instabilidade postural, rigidez muscular e problemas de memória, linguagem e raciocínio. Ainda que importante, o tratamento farmacológico não melhora a automaticidade do andar. Por isso, estratégias complementares, como a prática frequente de atividades físicas, são essenciais para buscar a melhora das condições dos pacientes, e estímulos cognitivos também são muito importantes para auxiliar no tratamento.

O estudo, realizado por Jumes Leopoldino Oliveira Lira e orientado pelo professor Carlos Ugrinowitsch, examinou e avaliou se a junção dos dois tratamentos melhoraria especificamente a automaticidade do andar, a atividade do córtex pré-frontal e as funções executivas dos pacientes. Embora algumas limitações tenham ocorrido, a pesquisa demonstrou que os testes aprimoraram a flexibilidade mental e o controle inibitório dos indivíduos com Parkinson, sugerindo que a união do exercício físico e cognitivo tem potencial para melhorar o controle executivo dessas pessoas.

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O andar é uma função humana básica, mas bastante complexa, pois depende da integração de vários sistemas internos funcionando coordenadamente. Em indivíduos saudáveis, o andar se realiza com mínima necessidade de controle executivo, ou seja, é uma tarefa simples, inconsciente e que requer pouquíssima atenção e planejamento. Entretanto, o Parkinson provoca a degeneração de estruturas cerebrais fundamentais para automatizar movimentos do dia a dia. Assim, as pessoas acometidas apresentam mais dificuldade para dominar seus sistemas biomecânicos, especialmente em condições de tarefa dupla (andar e atividades cognitivas). Pesquisas recentes estimam que mais de 500 mil brasileiros convivem com a doença de Parkinson, um grave distúrbio neurológico, crônico e progressivo.

Além disso, devido à disfunção nos núcleos da base – componentes cerebrais fundamentais no controle motor –, os pacientes precisam “pensar mais para andar”. Ou seja, há uma hiperatividade do córtex pré-frontal como mecanismo compensatório pela perda da automaticidade, gerando sobrecarga cognitiva, lentidão e menor eficiência dos movimentos. Tais alterações aumentam o risco de quedas nos indivíduos com Parkinson, fato que pode levar à diminuição da qualidade de vida, a internações e até mesmo à morte.

Metodologia incluiu três tipos de intervenção

Após passarem por critérios de seleção, 20 voluntários com a doença de Parkinson foram escolhidos para realizar quatro visitas ao Laboratório de Biomecânica da EEFE, com uma semana de intervalo entre elas. A primeira visita serviu para caracterizar os participantes, levantando informações sobre suas condições físicas e histórico de saúde. Nas outras visitas, foram realizadas as intervenções experimentais em três modalidades: somente exercício aeróbio em cicloergômetro (minibicicleta ergométrica), somente testes cognitivos e a combinação de ambos. Cada intervenção foi efetuada em uma única sessão, respeitando intervalos de uma semana entre elas. Todos os participantes executaram os três tipos de intervenções de modo aleatório e individualmente, por cerca de 30 minutos.

O método do estudo permitiu uma comparação direta entre as modalidades, verificando quais delas são mais efetivas na melhora da automaticidade do andar, das funções executivas dos pacientes e na redução da sobrecarga do córtex pré-frontal. Antes e imediatamente após cada intervenção, foram avaliados o desempenho executivo e a capacidade motora dos voluntários para identificar eventuais mudanças. Nas sessões com estímulos cognitivos, aplicaram-se especificamente tarefas de funções executivas – um conjunto de habilidades cognitivas humanas que inclui o processamento de informações, a capacidade adaptativa e a supressão de impulsos. Assim, os testes envolviam cálculos e sequências de números, letras e cores para verificar a memória de trabalho, a flexibilidade mental e o controle inibitório dos participantes.

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Embora não tenham sido encontradas diferenças significativas entre as três modalidades na automaticidade do andar e na atividade do córtex pré-frontal, os resultados mostraram melhoras pontuais em habilidades cognitivas importantes. Comparando as avaliações pré-teste e pós-teste, houve um avanço expressivo na flexibilidade mental e no controle inibitório dos participantes – o que sinaliza efeitos positivos mesmo em intervenções curtas. Outro ponto observado foi a tendência de diminuição da variabilidade do tempo de passo nas tarefas únicas. Isso sugere que todas as modalidades de intervenção têm potencial para mobilizar regiões corticais fundamentais para o controle cognitivo e motor. Assim, o simples engajamento em uma sessão de exercício ou de tarefas cognitivas pode ativar mecanismos importantes para a estabilização do andar.

Pesquisa abre caminho para novos estudos

Por ser o primeiro a avaliar a existência de possíveis efeitos agudos das três modalidades na automaticidade do andar de indivíduos com Parkinson, o estudo abre caminho para novas pesquisas e reforça a necessidade de investigações mais duradouras e com amostras mais amplas. Também representa um passo importante para o desenvolvimento de novas abordagens que melhorem a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Parkinson. 

A pesquisa é descrita na tese de doutorado Efeitos agudos do exercício aeróbico com e sem tarefas cognitivas na automaticidade do andar, na atividade do córtex pré-frontal e nas funções executivas de indivíduos com a doença de Parkinson: um ensaio clínico controlado e randomizado duplo cego, que está disponível na íntegra no Banco de Teses da USP.

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Com informações da Agência São Paulo

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