Com informações da Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo
Professora trabalha culturas afro-brasileira e indígena para desconstruir estereótipos na Educação Infantil
As práticas são permanentes na EMEI Professor Sebastião Sanches Martines fortalecem identidade, autoestima e protagonismo infantil
Publicado em: 25/05/2026 11h09 | Atualizado em: 25/05/2026
Na EMEI Professor Sebastião Sanches Martines, localizada no Parque São Lucas, o trabalho desenvolvido pela professora Maria de Fátima Barreto de Lima vem promovendo experiências que valorizam as culturas afro-brasileira e indígena na Educação Infantil, contribuindo para a construção de relações mais respeitosas e para a desconstrução de estereótipos entre as crianças.
Atuando na Rede Municipal de Educação desde 2018, Maria de Fátima construiu sua trajetória profissional atuando em diferentes funções, como gestão, coordenação pedagógica e docência. O projeto nasceu a partir de reflexões e aprofundamentos realizados durante sua atuação na pandemia, especialmente com estudos dos documentos orientadores da Educação Infantil.
“A partir dessas vivências, fortaleceu-se a compreensão da necessidade de práticas pedagógicas intencionais, permanentes e contextualizadas, capazes de promover a valorização das culturas afro-brasileira e indígena desde a infância”, explica.
As ações acontecem semanalmente e são integradas ao planejamento pedagógico durante todo o ano letivo. Entre as propostas estão leitura de obras literárias com protagonismo negro e indígena, rodas de conversa, valorização de brincadeiras e elementos culturais, atividades de faz de conta, experiências estéticas, pinturas e a organização intencional dos espaços para garantir representatividade.
Segundo a professora, os resultados podem ser percebidos nas interações cotidianas das crianças. “Observamos a ampliação do repertório cultural e mudanças importantes nas relações entre elas, que passam a demonstrar mais respeito às diferenças. Também percebemos o fortalecimento da identidade e da autoestima quando se reconhecem positivamente nas propostas e vivências.”
O protagonismo infantil também se manifesta de forma espontânea nas falas e descobertas das crianças. Entre os momentos marcantes do projeto, Maria destaca a fala de uma criança após receber um penteado valorizando seus traços e sua origem: “Professora, meu cabelo também é bonito.” Outra descoberta compartilhada durante as atividades também chamou a atenção da docente: “Professora, pipoca é uma palavra de origem indígena, e eu gosto muito de pipoca”, relata.
Mais recentemente, o impacto do trabalho ultrapassou a sala de aula. Uma estagiária que acompanhava a rotina da turma relatou ter se sentido inspirada pelas experiências vivenciadas, reconsiderando a decisão de deixar a área da educação.
Para a professora, episódios como esses reforçam a potência das práticas educativas comprometidas com a valorização da diversidade. “As crianças demonstram pertencimento, autonomia e expressão em suas falas e atitudes, revelando como experiências significativas podem contribuir para a construção de identidades positivas desde a infância”, relata.
