Close Menu
Folha 12 – São PauloFolha 12 – São Paulo
  • Home
  • São Paulo – Capital
  • São Paulo

Subscribe to Updates

Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.

What's Hot

Veja o impacto do programa Empreendedor Artesão na vida de mestre da cultura popular

junho 21, 2026

SP registra a primeira variedade do limão caviar, que pode valer até R$ 1,2 mil o quilo

junho 21, 2026

Saiba como encontrar feiras livres no Sampa e Você

junho 20, 2026
Facebook X (Twitter) Instagram
Folha 12 – São PauloFolha 12 – São Paulo
  • Home
  • São Paulo – Capital
  • São Paulo
Facebook X (Twitter) Instagram
Folha 12 – São PauloFolha 12 – São Paulo
Home»São Paulo»Estudo detalha como o organismo se adapta a dietas com muita proteína e nenhum carboidrato
São Paulo

Estudo detalha como o organismo se adapta a dietas com muita proteína e nenhum carboidrato

RedacaoBy Redacaojunho 20, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
Facebook Twitter Pinterest Telegram LinkedIn Tumblr WhatsApp Email
Share
Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Telegram Email

Quando submetido por muito tempo a uma dieta rica em proteínas e totalmente isenta de carboidratos, o organismo altera o “comando molecular” do fígado para manter o fornecimento adequado de energia, até mesmo durante o jejum. Por meio de experimentos com roedores, pesquisadores da da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) detalharam como essa adaptação metabólica funciona. Os resultados, divulgados em outubro no American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism, fornecem indícios de como esses processos podem ocorrer, também, no organismo humano.

O trabalho é um desdobramento de uma linha de investigação iniciada na década de 1970 pelo endocrinologista Renato Helios Migliorini, da FMRP-USP. Naquela época, os pesquisadores observaram que urubus (aves carnívoras que consomem praticamente só proteína) conseguiam manter níveis normais de glicose no sangue mesmo após longos períodos de jejum.

E então surgiu a pergunta: como esses animais mantinham a glicemia estável sem ingerir carboidratos? A constatação desafiava um princípio clássico da fisiologia, segundo o qual a principal fonte de glicose é o carboidrato ingerido na alimentação. Se esses animais não tinham acesso regular a esse nutriente, seria necessário que o próprio organismo fabricasse o açúcar circulante e em quantidade suficiente para sustentar funções vitais, como a atividade cerebral.

LEIA TAMBÉM: Estudo simula a digestão humana e mostra como o corpo aproveita minerais das castanhas

Segundo a professora Ísis do Carmo Kettelhut, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP, a busca pela resposta começou pelo estudo do fígado. É nesse órgão que ocorre a chamada gliconeogênese, processo pelo qual o organismo fabrica glicose a partir de outras substâncias, como os aminoácidos derivados das proteínas. Experimentos posteriores com gatos e ratos alimentados com dietas hiperproteicas (ricas em proteína) confirmaram a mesma capacidade elevada de produção hepática de glicose, reforçando que se tratava de um mecanismo adaptativo presente também na fisiologia dos mamíferos, e não de uma peculiaridade das aves.

Anos depois, com o avanço das técnicas de biologia molecular, a equipe liderada por Kettelhut decidiu investigar o que acontecia dentro das células hepáticas. “Naquela época, não existiam ferramentas para entender os mecanismos moleculares envolvidos. Agora conseguimos mergulhar na célula e identificar quem regula essa via”, explica a pesquisadora.

Em um experimento mais recente, apoiado pela Fapesp, o pesquisador João Batista Camargo Neto (FMRP-USP) alimentou camundongos adultos com uma dieta composta por 86% de proteínas, 8% de gordura, 6% de mistura de sais e vitaminas e zero carboidrato durante 30 dias. Ao longo do período, foram monitorados peso, consumo alimentar e glicemia desses animais. Desde a primeira semana do estudo, os camundongos alimentados com a dieta hiperproteica apresentaram níveis de glicose mais baixos que os animais do grupo-controle (alimentados com uma dieta balanceada de proteínas e carboidratos), porém estáveis. E, quando foram submetidos a 12 horas de jejum, mantiveram a glicemia praticamente inalterada, enquanto os animais com dieta balanceada tiveram queda de aproximadamente 40%.

Troca de estratégia

De acordo com Camargo Neto, os testes moleculares revelaram uma mudança inesperada na forma como o fígado sustentava essa produção de glicose. No início da dieta, a produção de glicose era estimulada pelo glucagon, hormônio liberado quando o nível de açúcar no sangue cai. O glucagon ativa uma proteína chamada CREB, que induz a expressão de enzimas responsáveis pela gliconeogênese.

Mas, com o passar do tempo, mesmo com o glucagon elevado, essa via deixava de responder. “O fígado se torna resistente à ativação do glucagon. A via de sinalização é bloqueada”, explica o pesquisador. Esse fenômeno indica que o organismo não mantém o mesmo mecanismo de controle não mantém a ativação da neoglicogênese hepática (produção de glicose pelo fígado) pela ativação do glucagon, mas sim pela queda da insulina.

Por volta de 15 dias após a alimetação com a dieta hiperproteica ocorre a “troca de estratégia” do organismo e o fator de transcrição FoxO1 assume o comando da produção de glicose pelo fígado. “Fatores de transcrição são proteínas que entram no núcleo da célula e regulam a expressão de genes específicos. No caso, o FoxO1 ativa genes de enzimas responsáveis por transformar aminoácidos em glicose, ou seja, genes da via gliconeogênica. Diferentemente do CREB, ele depende da queda da insulina para atuar e os animais em dieta hiperproteica apresentam níveis mais baixos desse hormônio”, explica Kettelhut.

Essa mudança sugere que o organismo passa de uma resposta hormonal aguda, típica de situações de emergência metabólica (falta de carboidrato), para um controle crônico dos genes que comandam a produção de glicose. Trata-se de uma reorganização interna do sistema de regulação metabólica do fígado.

Os pesquisadores ainda não sabem responder por que motivo o organismo muda de estratégia para continuar produzindo glicose. Mas, entre as hipóteses, a equipe acredita que a transição pode representar uma economia energética ou uma forma de evitar sobrecarga constante das vias hormonais. “Ativar a via do CREB exige maior gasto de ATP. Talvez o organismo opte por um mecanismo mais econômico a longo prazo”, sugere Kettelhut, ressaltando que a hipótese ainda é especulativa.

Outro achado relevante foi o aumento da corticosterona, hormônio equivalente ao cortisol em humanos. Esse hormônio faz parte da resposta ao estresse metabólico e também estimula a produção de glicose. Quando os pesquisadores removeram cirurgicamente as glândulas adrenais (responsáveis pela produção desse hormônio), os animais em dieta hiperproteica perderam a capacidade de manter a glicemia durante o jejum. Isso indica que os glicocorticoides também são essenciais na adaptação metabólica a essa dieta.

O que acontece com humanos?

Apesar do interesse crescente por dietas ricas em proteína e restrição de carboidratos, os pesquisadores alertam que os resultados não devem ser automaticamente extrapolados para humanos. Não há estudos em pessoas submetidas a uma dieta totalmente isenta de carboidrato, como a usada no experimento. Além disso, há indícios de possíveis efeitos sobre outros órgãos, entre eles aumento do tamanho dos rins em modelos animais submetidos a alto consumo proteico. “Essa dieta que usamos no estudo não é palatável para o homem. E não há nenhum experimento feito em humanos com essas dietas”, pondera a pesquisadora.

Para Camargo Neto, o principal avanço do estudo está na compreensão detalhada da regulação molecular da gliconeogênese. Os resultados mostram que o metabolismo é dinâmico e adaptável e, diante da ausência prolongada de carboidratos, o fígado não apenas aumenta a produção de glicose, mas reorganiza seu sistema de comando para sustentar essa função no longo prazo.

“A via metabólica da gliconeogênese está desregulada em doenças como o diabetes tipo 2 e em alguns tipos de câncer. Entender quem controla esse processo poderá, no futuro, ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos e de estratégias terapêuticas”, conclui.

source
Com informações da Agência São Paulo

Curtir isso:

Curtir Carregando...

Relacionado

Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
Redacao
  • Website

Related Posts

Veja o impacto do programa Empreendedor Artesão na vida de mestre da cultura popular

junho 21, 2026

SP registra a primeira variedade do limão caviar, que pode valer até R$ 1,2 mil o quilo

junho 21, 2026

Novos reservatórios na Baixada Santista equivalem a uma frota de 6 mil caminhões-pipa cheios de água

junho 20, 2026

Conheça as tecnologias que colocaram as cidades de São Paulo entre os melhores índices de economia de água do Brasil

junho 20, 2026

Pesquisa identifica nova mutação relacionada ao câncer de pulmão

junho 20, 2026

Governo de SP divulga resultado final do edital que prevê participação de produtores rurais na conservação da araucária

junho 20, 2026

Deixe uma respostaCancelar resposta

@sbatmao Na entrega da Fatec Suzano, o Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas entrevistou o Batmão, na sequência Batmão entrevista o Presidente da ALESP Deputado André do Prado. #tarcisiodefreitas #batmao #andrédoprado #suzanotv #tvsuzano ♬ som original - Lucas Secario Novo o Batmão
Posts Recentes: Suzano TV com Batmão — a voz do povo @secario.batmao

Vem pra Orla está de volta neste domingo na Ponta da Praia de Santos

Vem pra Orla está de volta neste domingo na Ponta da Praia de Santos

Copa Junina Poá exibe Brasil x Haiti em mega telão de 50 m² nesta sexta-feira

Copa Junina Poá exibe Brasil x Haiti em mega telão de 50 m² nesta sexta-feira

Deputado solicita apoio do Governo do Estado para recuperação de pontes rurais em Juquitiba

Deputado solicita apoio do Governo do Estado para recuperação de pontes rurais em Juquitiba

Volta às aulas: professores da rede municipal participam de formação

Volta às aulas: professores da rede municipal participam de formação

Cerimônia do Tiro de Guerra é marcada pela emoção

Cerimônia do Tiro de Guerra é marcada pela emoção
© Folha 12 - Desde 2011
  • Home
  • São Paulo – Capital
  • São Paulo

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.

imunify-bot-check
%d