Prefeitura faz homenagem histórica a Mauricio de Sousa com desfile que emociona milhares de famílias no Anhembi

Cerca de 30 mil pessoas lotaram o Sambódromo do Anhembi para acompanhar o desfile inédito em homenagem aos 90 anos do cartunista, em um espetáculo gratuito com mais de 400 artistas

O Sambódromo do Anhembi deixou de ser apenas palco dos grandes desfiles carnavalescos para se transformar neste domingo (28) em um enorme gibi aberto sobre a história de Mauricio de Sousa. Um público estimado em cerca de 30 mil pessoas, entre elas crianças, pais, avós e fãs de diferentes gerações, acompanhou um espetáculo inédito e gratuito promovido pela Prefeitura de São Paulo para celebrar os 90 anos do criador da Turma da Mônica — uma homenagem à altura de um artista cuja obra atravessou gerações, incentivou milhões de crianças à leitura e passou a integrar definitivamente o patrimônio cultural da cidade.

Inspirado nos grandes cortejos populares brasileiros, o Desfile Mauricio 90 reuniu mais de 400 artistas, bailarinos, performers e personagens em uma narrativa que percorreu a vida e a obra do cartunista. Carros alegóricos monumentais, trilha sonora original, efeitos visuais, chuva de papéis coloridos, esculturas gigantes e personagens que ganharam vida transformaram a avenida em um espetáculo que emocionou o próprio homenageado e o público do início ao fim. O desfile é parte da série de ações comemorativas que a Prefeitura preparou para celebrar o legado e os 90 anos do artista. Leia mais abaixo.

“Maurício é um garoto que veio para São Paulo para crescer, se desenvolver e buscar oportunidades. Essa é a história de muita gente que construiu esta cidade. Mauricio representa esse espírito empreendedor e criativo que faz parte da alma paulistana. Parabéns pelos seus 90 anos e por esse legado maravilhoso”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes.

O desfile começou com o carro alegórico “Eu tive uma ideia”, conduzindo o público às origens da trajetória do artista. A narrativa apresentou o menino sonhador que deixou Mogi das Cruzes para construir sua vida em São Paulo, relembrou o período em que atuou como repórter policial e mostrou os inúmeros desafios enfrentados até conquistar reconhecimento nacional.

As alas seguintes reconstruíram diferentes capítulos dessa história. Vó Tita surgiu representando as memórias da infância; outra ala simbolizou os muitos “sins” e “nãos” recebidos ao longo da carreira; o processo criativo de Mauricio ganhou forma por meio de artistas que representavam seus desenhos tomando vida, enquanto personagens como Papa-Capim, Jurema, Zé Lelé, Chico Bento e Rosinha lembravam a riqueza do universo criado pelo cartunista e sua capacidade de retratar diferentes Brasis.

O tradicional Bairro do Limoeiro também ganhou espaço especial antes da entrada daquele que se tornou um dos momentos mais aguardados da noite.

Com quatro pavimentos, árvores giratórias, páginas gigantes de gibis em movimento e um enorme Sansão dominando a estrutura, o carro alegórico da Turma da Mônica arrancou aplausos da plateia. Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Milena, Dorinha, Luca, Nimbus, Do Contra, Jotalhão, Horácio, Jaiminho e tantos outros personagens faziam suas tradicionais travessuras enquanto uma gigantesca fatia de melancia lembrava imediatamente a inseparável Magali.

Logo atrás, o irreverente Louco caminhava entre o público em uma ala inspirada no universo circense, aproximando ainda mais os personagens das famílias presentes.

Na sequência, a turma do Penadinho levou humor e fantasia para a avenida antes que um novo carro mostrasse diferentes fases da Turma da Mônica — da infância à adolescência — demonstrando como os personagens acompanharam também o crescimento de seus leitores ao longo das décadas.

Um gigantesco Sansão inflável deitado na avenida reforçava a dimensão do espetáculo, enquanto o estandarte com a frase “Onde tiver história para contar, a gente vai estar” sintetizava o espírito da celebração.

O encerramento reservou um dos momentos mais emocionantes da noite. Em um carro alegórico de quatro andares, concebido como um enorme gibi aberto, Mauricio de Sousa percorreu a avenida ao lado da família, acenando para o público sob aplausos. A alegoria revisitava sua trajetória, exibindo desde os primeiros esboços da personagem Mônica até fotografias do cartunista desenhando nos estúdios, em uma celebração de sua vida e de seu legado.

Enquanto o carro passava pela avenida, uma explosão de fitilhos coloridos cobriu o Sambódromo, arrancando aplausos e lágrimas do público. Aos poucos, os espectadores foram convidados a deixar as arquibancadas para caminhar atrás da última alegoria, transformando o encerramento em uma grande celebração coletiva. Muitos deles, entre crianças e adultos, dançavam e pulavam na avenida.

“O desfile de hoje é um momento histórico para a cidade de São Paulo. É um reconhecimento da Prefeitura ao Mauricio de Sousa e também um presente para toda a população, com um espetáculo desse nível, gratuito e acessível. Quantas gerações aprenderam a ler com a Turma da Mônica? Quantas crianças cresceram acompanhando esses personagens? Hoje celebramos esse legado”, afirmou o secretário municipal de Comunicação, Totó Parente.

Histórias de quem cresceu com Mauricio
Nas arquibancadas, cada família parecia guardar uma lembrança diferente dos personagens criados por Mauricio.

A professora Mônica Maria Cândido, de 34 anos, chegou cedo para garantir lugar na grade, usando uma camiseta da personagem que inspirou seu próprio nome.

“Fui alfabetizada com os gibis dele e me chamo Mônica por causa da Mônica. Hoje, estar aqui com meu filho Leonardo, de quatro anos, é como viver novamente a minha infância. Estou revivendo tudo isso e mostrando para ele uma parte muito importante da minha história”, contou emocionada.

De Guarulhos, a confeiteira Raquel Felipe da Silva, de 39 anos, reuniu marido, filhos e neta para assistir ao desfile. “Nós crescemos com a Turma da Mônica e agora queremos que eles também tenham essa experiência. É uma história que passa de geração para geração”, afirmou.

Moradora da Mooca, a contadora Itália Fernanda de Souza, de 42 anos, levou a mãe, Dilce Costa de Souza, que comemorou os 79 anos justamente no Sambódromo. “É a primeira vez que ela vem ao Anhembi. Poder viver esse momento em família, no aniversário dela, em um espaço totalmente acessível, tornou o dia ainda mais especial”, disse.

Feliz ao lado dos netinhos, a própria dona Dilce fez questão de destacar o conforto da estrutura preparada para receber pessoas com mobilidade reduzida. “Está maravilhoso. Achei que teria escadas, mas tem rampa, tudo organizado. Vou assistir com conforto. Foi um presente de aniversário”, comemorou.

A acessibilidade foi um dos aspectos mais elogiados pelo público. A Prefeitura preparou áreas reservadas, audiodescrição em tempo real, interpretação em Libras, ônibus gratuitos integrados ao Domingão Tarifa Zero e linhas especiais ligando o Sambódromo às estações Palmeiras-Barra Funda e Portuguesa-Tietê.

A técnica de enfermagem Ingrid Cristina de Oliveira Soares, de 37 anos, levou as filhas gêmeas Isa e Raiane utilizando o transporte especial. “Foi tudo muito organizado. Peguei o ônibus gratuitamente, as crianças vieram sentadas, foi fácil chegar e não tinha confusão nem cambistas. Achei excelente”, disse.

Na área reservada para pessoas com deficiência, a artesã Aida Rufino de Oliveira, de 51 anos, acompanhava o desfile ao lado do filho Joaquim, de 15 anos, que tem hiperfoco no personagem Chico Bento. “Esse espaço fez toda a diferença. Está muito confortável. É importante que eventos como esse pensem na inclusão para que todas as famílias possam participar”, afirmou.

Também professora, Joelma Alves de Lima, de 55 anos, segurava um enorme Sansão de pelúcia enquanto aguardava a passagem do homenageado. “Usei os gibis da Turma da Mônica durante muitos anos em sala de aula. Agora meu neto vai crescer lendo as mesmas histórias”, contou.

Entre os milhares de espectadores, a emoção também tomou conta de Helena Simões Santos, de 54 anos, moradora do Imirim. Enquanto acompanhava a homenagem das arquibancadas, via a filha, Vitória Helena Simões Santos, de 25 anos, desfilar na ala do Penadinho.

“Foi muito emocionante. Deu uma vontade imensa de chorar. A gente vê tudo o que o Mauricio fez por nós. Cada personagem nasceu de uma pessoa, de uma história. Minha filha dizia que estaria fazendo história, e foi exatamente isso que aconteceu. Ela fez parte dessa homenagem ao lado do Mauricio”, contou.

A analista financeira Joice Almeida Costa, de 43 anos, também deixou o Sambódromo emocionada. “Achei emocionante ver essa homenagem acontecer enquanto ele está aqui para viver tudo isso. O desfile mostrou toda a história da Turma da Mônica e também a nossa própria infância”, afirmou.

Um legado que pertence ao Brasil
Mais do que celebrar os 90 anos de um cartunista, São Paulo prestou homenagem a um criador que ajudou a formar leitores, despertou o gosto pela leitura em milhões de crianças e transformou personagens em parte da identidade cultural brasileira. Neste ano, esse legado recebeu um reconhecimento histórico ao ser declarado patrimônio cultural imaterial da cidade, consolidando a importância de uma obra que ultrapassou os quadrinhos para influenciar gerações de brasileiros.

O desfile integrou uma ampla programação preparada pela Prefeitura para marcar a data, que inclui a inauguração do banco de bronze na Avenida Paulista, esculturas espalhadas pelas cinco regiões da capital, infláveis gigantes, oficinas literárias, distribuição gratuita de livros e gibis e a criação do Paulistinha, mascote oficial da cidade concebido pelo próprio Mauricio de Sousa como um presente para São Paulo.

Ao transformar o Sambódromo em um imenso gibi vivo, a capital fez mais do que homenagear um de seus cidadãos mais ilustres. Celebrou a imaginação, a infância, a diversidade, a inclusão e a cultura brasileira. Durante algumas horas, milhares de pessoas assistiram às páginas de uma história que atravessa gerações ganharem vida diante de seus olhos — uma história que começou com um menino cheio de ideias e que, aos 90 anos, continua inspirando o Brasil inteiro.
 

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Com informações da Prefeitura de São Paulo

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