Com informações da Câmara Municipal de São Paulo
A Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta segunda-feira (10/08) o ato solene alusivo aos “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”. O evento contou com o apoio da Presidência do Legislativo paulistano. O objetivo foi oferecer um espaço para a apresentação de estudos, documentos e reflexões que contribuem para ampliar a compreensão histórica da época, valorizando o diálogo respeitoso e a pesquisa fundamentada.
A solenidade foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Ricardo Teixeira (UNIÃO). Ele afirmou que o Parlamento da capital, como espaço democrático de representação popular, tem entre as atribuições incentivar a troca de ideias, preservar a memória e promover o debate público sobre temas de relevância na sociedade.
“É nesse espírito que nos reunimos hoje para recordar os 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, figura de grande importância na história do Brasil, proporcionando um momento de reflexão e de apresentação de diferentes estudos e perspectivas sobre esse período histórico”, disse o presidente da Câmara Municipal.
Após a abertura da cerimônia, Teixeira passou a presidência do evento para o ex-vereador de São Paulo Gilberto Natalini. Ele foi um dos presidentes da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, criada em 2012, e encerrada em dezembro de 2014. O relatório final foi apresentado por Natalini. O documento trouxe de forma pioneira a informação de que a morte de JK foi um atentado.
“Nós nos debruçamos sobre a morte de JK. Foi o principal trabalho da comissão. A investigação foi profunda e abrangente. Nós levantamos 114 indícios, provas, e suspeitas de que JK morreu ‘matado’. Até então, o governo brasileiro admitia que o JK morreu em acidente. Nós provamos que não foi acidente, foi uma morte provocada por atentado político. Nós fomos a primeira instituição no Brasil a levantar isso oficialmente”, ressaltou Gilberto Natalini.
O ex-parlamentar disse ainda que a partir de agora é possível afirmar que a morte de JK foi provocada. “Agora temos a confirmação. Vão mudar a certidão de óbito do Juscelino, admitindo que ele morreu em um atentado político na Via Dutra”.
À época assessor da Comissão da Verdade, o jornalista Ivo Patarra disse que um dos motivos do atentado contra Kubitschek foi a aproximação das eleições para presidente do Brasil daquele período. “Ele seria um candidato fortíssimo nas eleições presidenciais de 1978. Ele era muito popular e respeitado no Brasil. Então, dois anos antes, o regime militar eliminou JK. Eu diria que foi o crime mais grave de toda ditadura militar, pelo que ele representava, pela popularidade dele, porque ele seria, dentro das condições normais, o presidente da República em 1978. Foi um crime covarde”.
A historiadora e responsável pelo relatório sobre a morte de JK, Maria Cecília Adão, destacou os indícios que levaram à conclusão de que a morte do ex-presidente foi um atentado. Ela falou que foi um trabalho extenso, com aproximadamente seis mil páginas em anexo e mais de 1,2 mil páginas de documentação.
“Temos elementos que configuram fraudes que foram realizadas no período da investigação. Esse conjunto comprova como a ditadura agia naquele período, fraudando laudos, não fazendo os exames necessários, mudando informações, alterando dados. Esse conjunto comprova essas fraudes que foram fabricadas para que houvesse a impressão ou uma versão de que houve um acidente e não um acidente causado”, disse Maria Cecília.
O amigo e secretário particular de JK, Serafim Melo Jardim, foi quem reabriu o caso da morte do ex-presidente, em 1996. “Há 30 anos eu falo que o Juscelino foi assassinado. Eu passei a conviver com ele a partir de 1967 quando ele voltou do exílio. Estou ao lado dele há 59 anos, nove em vida e 50 anos depois de sua morte. Ele dizia que a nossa amizade era uma velha tradição de família”.
O ato solene contou com a presença do vereador Eliseu Gabriel (PSB), de ex-parlamentares da Casa, deputados, entre outras autoridades.
Antes do evento, em visita à presidência da Casa, Nilmário Miranda, ex-ministro de Direitos Humanos e Cidadania do Brasil, comentou sobre a solenidade. Ele lembrou que a morte de JK completa 50 anos no dia 22 de agosto. Miranda destacou que Kubitschek foi importante para a cidade de São Paulo.
“Ele trouxe a indústria automobilística para o país e a maioria se instalou em São Paulo. Ninguém melhor do que a Câmara Municipal de São Paulo, maior instância municipal legislativa do país, para resgatar e contar a verdadeira desse grande brasileiro”, disse Nilmário Miranda.
Minidocumentário
O minidocumentário “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”, realizado pela Rede Câmara São Paulo, relembra a atuação da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog.
A produção apresenta análises de documentos, depoimentos e evidências durante os trabalhos realizados entre 2012 e 2014. O material reconstitui as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek e as conclusões registradas no relatório final.
O minidocumentário foi exibido no evento e está disponível aqui.
Exposição
O Centro de Memória da Câmara Municipal de São Paulo também lançou uma nova exposição: “JK, um paulista nascido em Minas”. Instalada no térreo e no 1° andar do Palácio Anchieta, a mostra tem imagens e informações sobre a história de Juscelino Kubitschek em diferentes momentos da vida pública dele.
O conteúdo contou com a colaboração do pesquisador Fábio Chateaubriand, responsável pela seleção das fotografias. Ele é autor do livro “Juscelino Kubitschek, uma fotobiografia”.
A exposição está aberta para visitação de segunda à sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados durante o programa Câmara Aberta, das 9h às 17h.
Hotsite
A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog também ganhou um hotsite. A página reúne a trajetória e os resultados do trabalho dos vereadores de São Paulo. Clique aqui e acesse o conteúdo.
Para assistir à íntegra do ato solene, clique neste link.


