Prefeitura e instituições se unem para transformar Largo São Francisco em novo espaço de convivência no Centro

Acordo reúne poder público, universidade e sociedade para qualificar área histórica, ampliar circulação de pedestres e estimular a presença de moradores, estudantes e frequentadores

A Prefeitura de São Paulo assinou nesta terça-feira (11) acordo de cooperação com o consórcio formado pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação Arcadas para o desenvolvimento de estudos e projetos de requalificação do Largo São Francisco e de seu entorno. A iniciativa, anunciada no dia em que a Faculdade de Direito completa 199 anos, integra o conjunto de ações voltadas à revitalização e à reocupação do Centro, com a qualificação dos espaços públicos e o estímulo à presença de moradores, estudantes, trabalhadores e demais frequentadores da região.

O prefeito Ricardo Nunes destacou que a requalificação do Largo São Francisco faz parte de um esforço conjunto para recuperar e reocupar o Centro de São Paulo. “Nós estamos dentro de um contexto de pensar a nossa cidade como ela deve ser pensada, com todos juntos. Acho que essa também é uma boa mensagem que a gente dá para as pessoas: temos que estar todos juntos, dar as mãos e fazer as ações que são fundamentais”, afirmou. Nunes ressaltou ainda que a Prefeitura vem desenvolvendo um conjunto de iniciativas para recuperar a região, com ações de requalificação urbana e estímulo à chegada de empresas e moradores ao Centro. “Muitas e muitas ações a gente tem feito, tem desenvolvido. E acho que é importante reforçar o convite para todo mundo participar desse processo de recuperação do nosso Centro”, disse.

A parceria prevê a elaboração de soluções para ampliar a segurança, a acessibilidade e a permanência de pessoas no território, além de valorizar o patrimônio histórico e fortalecer a identidade do Largo São Francisco como um dos principais espaços públicos do Centro. A proposta parte de uma visão integrada do território, conectando o largo a outros pontos estratégicos da região e buscando tornar o espaço mais acolhedor e adequado à convivência.

“É um processo participativo muito rico, que foi além dos muros da universidade e integrou, por exemplo, a igreja, que tem uma história muito importante e que pode ser cada vez mais importante para a gente pensar a nossa sociedade e o espaço físico dessa cidade”, afirmou o diretor-presidente da São Paulo Urbanismo, Pedro Fernandes.

Segundo ele, as discussões realizadas ao longo da construção da proposta permitiram desenvolver um projeto “a várias mãos”, com foco na criação de um espaço de permanência e convivência. Entre as diretrizes apresentadas estão a ampliação das calçadas, o plantio de mais árvores da mata atlântica, implantação de jardins de chuva e a revisão do mobiliário urbano.

A proposta também dialoga com a estratégia de ampliar a presença de pessoas que vivem e estudam na região. “A gente tem de fato uma sinergia enorme nesse projeto”, destacou Fernandes, ao mencionar a integração da requalificação com a política da Prefeitura de ocupação do Centro por meio das residências e com a presença da Faculdade de Direito, estimulando que cada vez mais estudantes possam morar na área.

A diretora da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, professora Ana Elisa Bechara, destacou que a requalificação representa uma forma de a instituição contribuir com a cidade no momento em que se aproxima de seu bicentenário.

“Não vimos também outra forma melhor de comemorar o nosso bicentenário do que presenteando a nossa cidade, a nossa sociedade com um projeto de requalificação aqui do entorno do Largo de São Francisco e, por que não, a requalificação do Centro de São Paulo”, afirmou.

Para Ana Elisa, a proposta busca fazer com que o espaço seja mais inclusivo e vivo, permitindo novas atividades e maior permanência da população. A participação da comunidade do Centro e da cidade esteve presente desde as etapas iniciais de construção das diretrizes.

A vice-reitora da USP, Liedi Légi Bariani Bernucci, ressaltou a importância de conciliar a preservação da história com a transformação do espaço urbano. “O Largo São Francisco, uma área histórica da cidade de São Paulo, local que dignifica o saber, busca, com esta grande iniciativa, unir a riqueza que é a preservação da nossa história com a funcionalidade que respeita a sociedade moderna, promovendo a mobilidade inteligente e humanizando a dinâmica do cotidiano presente do Centro da nossa metrópole”, afirmou.

Mais espaço para pedestres e convivência
O projeto prevê soluções para ampliar e qualificar os espaços destinados aos pedestres, melhorar as travessias, garantir acessibilidade universal, reorganizar a circulação viária e criar novas áreas de permanência e convivência. Também serão desenvolvidas propostas de paisagismo, arborização, drenagem sustentável, iluminação, pavimentação, mobiliário urbano e valorização do patrimônio histórico e cultural.

As propostas deverão considerar ainda as conexões do Largo São Francisco com a Praça da Sé, o Vale do Anhangabaú, a Praça da Bandeira, o Terminal Bandeira e as estações Sé e Anhangabaú do Metrô. A intenção é tratar o largo como parte de um sistema integrado de espaços públicos e deslocamentos do Centro, e não como uma área isolada.

O perímetro do projeto abrange o Largo São Francisco e trechos das ruas José Bonifácio, São Francisco, do Ouvidor, Benjamin Constant, Senador Feijó, Cristóvão Colombo e Riachuelo, além de trecho da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

A iniciativa considera a importância histórica e simbólica do local, um dos núcleos mais antigos da formação urbana paulistana. O Largo reúne bens protegidos nas esferas municipal, estadual e federal, além de instituições como a Faculdade de Direito da USP e as igrejas que integram o conjunto franciscano.

Projeto construído com participação da sociedade
A assinatura do acordo marca uma nova etapa de uma proposta construída de forma participativa. Entre 17 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026, uma consulta pública on-line realizada pela plataforma Participe+ reuniu mais de 2 mil contribuições de moradores, trabalhadores, estudantes, frequentadores da região e instituições.

Em fevereiro deste ano, uma audiência pública realizada na Faculdade de Direito da USP apresentou os resultados da consulta e recebeu novas contribuições. As manifestações das duas etapas subsidiaram a consolidação das diretrizes que vão orientar os estudos e projetos de requalificação.

A parceria teve origem em uma Manifestação de Interesse Social apresentada pela Faculdade de Direito da USP e pela Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito. Após a consulta e a audiência públicas, foi realizado chamamento público para seleção da parceria, conforme as regras do edital, resultando na escolha do consórcio responsável pela elaboração dos estudos e projetos.

Não haverá transferência de recursos financeiros entre a Prefeitura e as organizações parceiras. O consórcio ficará responsável pela mobilização dos recursos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos, além da contratação e coordenação das equipes técnicas.

O prazo previsto para execução dos estudos e projetos é de 180 dias, contados a partir da emissão da ordem de início pela São Paulo Urbanismo, que deverá ocorrer em até 30 dias após a assinatura do acordo. As entregas serão realizadas por etapas e passarão por acompanhamento, avaliação e aprovação técnica da empresa municipal.

A São Paulo Urbanismo será responsável pelo acompanhamento e fiscalização das etapas, pela avaliação dos produtos entregues e pela validação das diretrizes urbanísticas. A Secretaria Municipal das Subprefeituras atuará no apoio técnico e institucional, especialmente nos temas relacionados à conservação, limpeza, mobiliário urbano e dinâmica de funcionamento do território.

Ao final, os diagnósticos, levantamentos, mapas, plantas, memoriais e projetos produzidos passarão a integrar o acervo técnico da São Paulo Urbanismo e poderão ser utilizados pelo Município como base para uma futura contratação e execução das obras de requalificação.

Um espaço que acompanha a história de São Paulo
Localizado em um dos vértices do chamado Triângulo Histórico, o Largo São Francisco se formou ao redor do conjunto religioso franciscano, composto pelo convento e pelas igrejas de São Francisco de Assis e das Chagas do Seráfico Pai São Francisco.

A abertura do antigo quintal dos frades, no início do século 19, contribuiu para transformar a área em espaço público integrado à rotina da cidade. Em 1827, a criação do curso jurídico de São Paulo, um dos dois primeiros do Brasil e origem da atual Faculdade de Direito da USP, ampliou a importância do largo, que se tornou referência da vida intelectual, política e cultural brasileira.

Mídia
Discurso do prefeito e atendimento à imprensa

 

source
Com informações da Prefeitura de São Paulo

Share.

Deixe uma respostaCancelar resposta

Exit mobile version