Políticas públicas integradas em diferentes áreas preparam a capital para uma nova realidade demográfica, com ações voltadas à autonomia, qualidade de vida e participação social

O processo de envelhecimento da população brasileira já transforma a realidade de São Paulo. O município ultrapassou a marca de 2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, equivalente a 17,7% do total de moradores da cidade. Segundo estudo da Prefeitura de São Paulo, elaborado com base no Censo 2022 do IBGE, o grupo de sexagenários cresceu mais de 50% em 12 anos. Projeção da Fundação Seade aponta que, em 2050, pessoas com mais de 60 anos poderão representar cerca de 30% da população local.

Para o médico-gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do ILC-BR e co-diretor do Age-Friendly Institute, essa mudança exige uma nova forma de planejar os espaços urbanos. “Estamos vivendo a mais notável transformação demográfica da história. A Revolução da Longevidade não é apenas uma constatação; é um convite a repensar a vida em sua plenitude. Ao integrar os pilares do envelhecimento ativo em sua governança, a cidade edifica um legado de bem-estar e participação para todas as gerações.”

Uma política construída para o futuro da cidade

O envelhecimento da população também exige uma atuação integrada e contínua do poder público. Em São Paulo, a preparação para uma cidade mais longeva reúne iniciativas de diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, mobilidade, habitação, educação, cultura, esporte e direitos humanos.

A articulação dessas políticas também conta com a participação social por meio do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMI-SP), que acompanha e fortalece as ações voltadas a esse público. A estratégia busca antecipar uma transformação já em curso e construir uma cidade preparada para diferentes fases da vida.

A Prefeitura de São Paulo se antecipa ao futuro e prepara ações para garantir o bem-estar dos moradores com mais idade, hoje e no futuro. Mais do que ampliar serviços voltados às pessoas idosas, o desafio é garantir autonomia, participação social e qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Isso envolve diferentes áreas, como saúde, trabalho, educação, mobilidade, moradia, cultura, esporte, inclusão digital e garantia de direitos. 

Para responder a esse cenário, a gestão municipal estruturou o Vitalidade + São Paulo, programa que reúne mais de 80 iniciativas coordenadas de forma integrada por 21 secretarias municipais. A estratégia busca fortalecer políticas de envelhecimento ativo e preparar a capital para essa transformação demográfica.

“A longevidade é uma das maiores oportunidades do nosso tempo. Preparar São Paulo para o envelhecimento da população significa ir muito além das políticas voltadas à saúde. É construir uma cidade que promova autonomia, inclusão e qualidade de vida em todas as etapas da vida, integrando ações de mobilidade, habitação, trabalho, educação, cultura, assistência social e participação cidadã”, afirma Rodrigo Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. 

Envelhecer com autonomia e participação

A política municipal para a longevidade parte do entendimento de que envelhecer não significa deixar de participar da vida econômica, social e cultural da cidade. Por isso, a Prefeitura desenvolve ações voltadas à geração de renda, qualificação profissional, educação e inclusão digital, com iniciativas como o Contrata SP 50+, o Cate +60, os programas Operação Trabalho (POT), Mãos e Mentes Paulistanas e Longevidade Ativa, além dos Telecentros SP e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Saúde: uma rede para acompanhar o envelhecimento

Preparar São Paulo para uma população mais longeva também significa garantir uma rede de saúde capaz de acompanhar diferentes necessidades ao longo da vida. Esse atendimento é organizado pela Rede de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (RASPI), que integra a atenção básica e os serviços especializados, com 483 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 14 Unidades de Referência à Saúde do Idoso (URSIs) e 70 equipes do Programa Acompanhante de Idoso (PAI).

Voltado a pessoas idosas em situação de fragilidade e vulnerabilidade social, especialmente aquelas com pouco ou nenhum suporte familiar, o PAI acompanha cerca de 8,2 mil pessoas por mês com atendimento domiciliar biopsicossocial, apoio às famílias e orientação aos cuidadores.

O impacto desse acompanhamento aparece na rotina de Dona Carolina, de 101 anos, e de seu filho José Antônio, de 75 anos, acompanhado pelo PAI e pela UBS Vila Arriete, na Zona Sul, após as sequelas de um AVC. A equipe oferece suporte para uma rotina mais segura e com mais autonomia.

Para Dona Carolina, a presença da equipe também faz parte da sua receita de longevidade: “O segredo para chegar aos 100 anos com essa disposição é comer bem, cantar, rir, receber visitas, principalmente da equipe do PAI e manter a alegria”, conta.

O Programa Nossos Idosos utiliza a avaliação multidimensional da rede municipal para identificar o grau de fragilidade e vulnerabilidade de cada pessoa e definir planos de cuidado individualizados.

A estratégia reforça um modelo de atenção voltado à prevenção, ao cuidado contínuo e à manutenção da autonomia das pessoas idosas.
 

Assistência social, convivência e proteção de direitos

O envelhecimento da população também exige uma rede de proteção para atender pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, isolamento ou rompimento de vínculos familiares.

A Prefeitura mantém 161 serviços exclusivos para esse público, com mais de 18 mil vagas em ações de convivência, fortalecimento de vínculos e acolhimento. A rede reúne Núcleos de Convivência do Idoso (NCIs), Centros Dia para Idosos (CDIs), Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), Centros de Acolhida Especial para Idosos (CAEIs) e o Centro de Referência da Cidadania da Pessoa Idosa (CRECI).

Desde 2021, a rede foi ampliada com 42 novos serviços voltados à população idosa. Além do atendimento socioassistencial, a Prefeitura mantém ações de proteção de direitos por meio do Centro de Referência dos Direitos Humanos e Cidadania da Pessoa Idosa (CRPI) e do Posto Avançado dos Direitos Humanos e Cidadania da Pessoa Idosa (PAPI), que oferecem orientação e encaminhamentos em casos de violações.

Uma cidade acessível para todas as idades

O envelhecimento da população também transforma a forma como os espaços urbanos são planejados. Uma cidade preparada para viver mais precisa garantir moradia adequada, mobilidade e acesso aos serviços públicos.

Em relação à habitação, a Prefeitura mantém iniciativas voltadas às pessoas idosas, como a Vila dos Idosos, empreendimento da COHAB-SP com 145 unidades adaptadas e estrutura de convivência, segurança e conforto. O programa Pode Entrar também reserva 5% das unidades habitacionais produzidas ou comercializadas para esse público.

Na mobilidade, a SPTrans mantém 1,5 milhão de Bilhetes Únicos da Pessoa Idosa ativos, garantindo gratuidade no transporte público municipal. A frota de ônibus é 100% acessível e os operadores recebem capacitação para oferecer atendimento adequado à população idosa. Outra medida é o desembarque fora do ponto no período noturno, ampliando a segurança dos passageiros.

Movimento, convivência e envelhecimento ativo

A preparação para uma população que viverá mais também passa pela criação de oportunidades para que as pessoas permaneçam ativas e conectadas ao território. A Prefeitura mantém iniciativas voltadas à prática esportiva, ao lazer e à convivência social.

Um dos principais exemplos são as Academias da Terceira Idade (ATIs), que somam 1.477 equipamentos instalados em praças públicas de diferentes regiões da cidade. Os espaços oferecem gratuitamente exercícios voltados ao fortalecimento muscular, equilíbrio, mobilidade e prevenção de quedas.

Nos centros esportivos municipais, as atividades adaptadas para o público idoso registram média de 6,2 mil alunos por mês. A cidade também promove iniciativas de integração, como os Jogos Municipais da Pessoa Idosa (JOMI), que unem esporte, convivência e participação social.

Cultura, memória e participação social

Uma cidade preparada para a longevidade também valoriza a história e a contribuição das pessoas idosas. A Prefeitura oferece programação gratuita em bibliotecas, centros culturais, teatros e casas de cultura, com oficinas, cursos, apresentações e atividades voltadas a esse público.

O Programa Memorabilia preserva relatos e histórias de moradores idosos, valorizando trajetórias que fazem parte da identidade paulistana. O Polo Cultural da Terceira Idade José Lewgoy promove atividades culturais, educativas e terapêuticas, ampliando espaços de convivência. A programação municipal também inclui eventos como o Festival 70+ e a Semana da Longevidade, que estimulam a participação social.
 

São Paulo na vanguarda da longevidade

Ao integrar diferentes áreas da administração e ampliar a participação social, a Prefeitura busca consolidar uma política de longevidade capaz de acompanhar as transformações demográficas e garantir que as pessoas possam envelhecer com autonomia, participação e qualidade de vida. A estratégia posiciona a capital entre as cidades que se preparam para os desafios e as oportunidades de uma sociedade cada vez mais longeva.

“Estamos consolidando uma visão de governo que reconhece a pessoa idosa como protagonista da sociedade e trata a longevidade como um eixo estratégico para o desenvolvimento da cidade”, finaliza o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart.

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Com informações da Prefeitura de São Paulo

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