Com informações da Câmara Municipal de São Paulo
A importância das bibliotecas e da formação técnica em Biblioteconomia foi o tema do debate da Comissão de Administração Pública, nesta sexta-feira (25/09). A discussão tratou da falta de especialistas para organizar acervos, mediar leituras e contribuir com o desenvolvimento de competências.
A audiência pública atendeu ao requerimento do vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL). No documento, o parlamentar destaca que “a Lei de Universalização das Bibliotecas determina que todas as instituições de ensino do país tenham bibliotecas estruturadas e com profissionais qualificados”.
“É importante debater as bibliotecas nas unidades escolares, porque nós temos salas de leitura. Achamos importante, mas queremos entender por que não ter também bibliotecas?”, questionou Vespoli na abertura do debate.
O parlamentar também reforçou a necessidade de ampliar o acesso às bibliotecas. “Elas não são apenas para o público das escolas, mas para toda a sociedade. Se queremos uma cidade leitora, um país leitor, temos que investir. Discutir a pauta das bibliotecas é importantíssimo, porque um livro é muito caro, então esses equipamentos são essenciais para que as pessoas tenham acesso”.
Participação popular
A audiência abriu espaço para a população e servidores da categoria se manifestarem. A professora universitária Regina Fazioli pontuou que o descumprimento da lei prejudica toda a sociedade. “As escolas sempre tiveram bibliotecas e bibliotecários. Isso foi se desfazendo. A lei não está sendo cumprida, e isso é um crime contra a população. A biblioteca não é só contação de histórias, é também letramento informacional. Ela ensina como fazer uma pesquisa. Nossa luta é para que as bibliotecas voltem às escolas públicas e particulares”.
O bibliotecário Wender Quintero questionou a realização de concursos públicos para o setor e o número de vagas oferecidas pela Prefeitura de São Paulo. “Nós, como bibliotecários, nos sentimos abandonados pelo Estado e pelo município. Estamos na cidade mais rica do país e São Paulo tem uma mão de obra de bibliotecários muito boa e qualificada, mas sabemos que no setor público temos um déficit crônico de profissionais. 50 vagas é muito pouco para suprir. Temos fome de trabalhar e exercer nossa função, que é passar para população um direito humano básico, que é acesso a informação de qualidade, e não temos nem edital publicado para o concurso”.
Já para a bibliotecária Jussara Aparecida, a presença do profissional é indispensável onde há acervo constituído. “Se um local tem mais de 200 livros, já é considerado biblioteca. Então, se a sala de leitura tem mais de 200 livros, precisa de um bibliotecário. Não adianta ter só os livros e não ter o mediador”.
Ex-servidora da Diretoria de Ensino de São Roque, Katia Cristina da Matta, relatou a precarização do trabalho nas unidades. “Eu cuidava de várias escolas e não havia organização. Na maioria do tempo, não tinha professor para ficar o dia inteiro na sala de leitura. Não é possível um único profissional dar conta de uma escola, o serviço fica muito precarizado. O trabalho em parceria é fundamental: os bibliotecários sabem organizar e deixar o acervo convidativo, já que nós, professores, temos dificuldade de tornar os livros atrativos para os estudantes”.
Conselhos de Biblioteconomia
A discussão contou ainda com representantes dos conselhos de Biblioteconomia. Ana Cláudia Martins, presidenta do CRB-8 (Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo), destacou a importância de manter o debate com o Poder Público.
“Precisamos trazer essa pauta para que a lei seja respeitada e para que se crie o Sistema de Bibliotecas na cidade. Já existe uma lei federal e queremos também trazer esse sistema para São Paulo. Quem sai ganhando com isso são os alunos e a sociedade, é uma necessidade nacional. Hoje, infelizmente, o Estado de São Paulo caiu no índice de educação. Estávamos no terceiro lugar e hoje estamos no décimo. Precisamos estar junto ao Poder Público para reconstruir isso, porque a educação, livros e bibliotecas salvam”, afirmou Ana.
Presidente do CFB (Conselho Federal de Biblioteconomia), Dalgiza Andrade Oliveira ressaltou o impacto nacional da iniciativa. “Se São Paulo lança um Projeto de Lei que dá conta de estruturar o sistema de bibliotecas municipais de São Paulo, nós temos a possibilidade de ampliar esse debate para os demais municípios do Brasil. As bibliotecas escolares são indispensáveis no processo de aprendizado, educacional e da formação educacional de todos os estudantes. Quem trabalha em favor das políticas públicas de leitura merece toda nossa confiança”.
Também integrante do Conselho Federal e da Comissão Biblioteca Escola, Leonardo Cavalcante completou: “É uma audiência muito importante. Vemos as bibliotecas como um equipamento educacional que desenvolve não só a questão pedagógica, como também o senso crítico dos alunos. Nossa luta é essa, é o cumprimento da legislação”.
Secretaria Municipal de Educação
Representando a Coordenadoria Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Lucimeire Cabral de Santana afirmou que a pasta quer construir uma atuação conjunta com os bibliotecários. “Estamos aqui presentes porque queremos construir uma coisa juntos, mas as atitudes que estamos tendo agora não é de desconhecimento da lei e nem de contraposição, mas é o percurso que a rede vem construindo até agora e temos todo interesse em fazer o que for melhor para construir as melhores experiências de leitura”.
Lucimeire reforçou que as salas de leitura não substituem as bibliotecas. De acordo com ela, a pasta tem fortalecido a atuação dos bibliotecários na rede: “As salas de leitura foram criadas para um projeto de mediação constante de leitura e bibliodiversidade. Nada é oposto aos bibliotecários, mas precisamos continuar organizando para que eles tenham todas as oportunidades. Fazemos questão de estar em todos os momentos construindo possibilidades de atuação dos nossos bibliotecários”.
A representante da Prefeitura também esclareceu que a organização de concursos públicos para bibliotecários é de responsabilidade de outra Secretaria. “A Secretaria de Cultura é quem organiza o concurso dos bibliotecários, mas como temos uma grande proximidade, podemos verificar melhor como estão os encaminhamentos”, explicou.
O encontro contou com a presença da vereadora Amanda Vettorazzo (UNIÃO). Assista aqui à audiência pública na íntegra.
