Com informações da Câmara Municipal de São Paulo
A possibilidade de criação do Parque Telefunken no Jardim Sabará, distrito de Campo Grande, zona sul da cidade, foi tema de discussão na Câmara Municipal de São Paulo, na noite desta terça-feira (13/10). A construção de um espaço de lazer na região é um pedido antigo dos moradores locais.
O plano é instalar o parque no terreno da antiga fábrica Telefunken – conhecida pela produção de produtos eletrônicos. A área – localizada entre as avenidas Miguel Yunes e Nossa Senhora do Sabará – tem quase 154 mil metros quadrados. O imóvel possui vegetação natural da Mata Atlântica e fica próximo ao Rio Jurubatuba. Além disso, está rodeado por ocupação urbana onde há grande fluxo de veículos.
A audiência pública foi proposta pela vereadora Renata Falzoni (PSB), integrante da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica. De acordo com a parlamentar, o debate atende à demanda de moradores, entidades de bairro e coletivos. Segundo ainda Falzoni, lideranças comunitárias defendem a preservação ambiental do local e a criação do parque há anos.
“Já de 1999 a 2017 existia, confirmada pelos planos da Prefeitura, a desapropriação dessa área para a criação de um parque, muito importante para uma zona carente de áreas verdes”, disse Renata.
Falzoni ressaltou a importância da implementação do espaço, considerando que o planeta enfrenta uma crise climática e carece de ações ambientais. “Nós estamos falando de preservação de árvores, de solo permeável dentro do contexto de uma urgência climática”.
O terreno da antiga fábrica está dentro do perímetro expandido do PIU (Plano de Intervenção Urbana) Arco Jurubatuba. E por ter sido um espaço de atividade industrial, há a necessidade de fazer levantamentos técnicos atualizados sobre eventuais riscos ambientais, processos administrativos, intervenções pretendidas e projetos incidentes sobre o antigo imóvel.
Presidente da Comissão de Trânsito, o vereador Nabil Bonduki (PT) também participou do debate. Ele pontuou sobre algumas questões burocráticas em relação à área. “Lá é uma área que é uma Zepam (Zona Especial de Proteção Ambiental) e bastante sensível do ponto de vista do meio ambiente. Isso já deveria ter sido resolvido. É uma situação que tem passado de incorporadora para incorporadora, uma comprando a outra com direitos de protocolos de muitos anos, que na verdade deveriam ser cancelados em função do tempo que decorreu”.
Durante a audiência foram apresentadas questões urbanísticas, ambientais, fundiárias e de mobilidade urbana que envolvem o parque e o entorno. Representando o Fórum Verde Permanente, Francisco Bodião falou sobre a urgência de definições.
“Os últimos remanescentes que temos na cidade estão em risco, o Telefunken é um deles. É uma área que está indefinida, pois não temos informações da Prefeitura sobre o que vai acontecer, mas temos muitas especulações, inclusive dos grandes empreendedores que olham para a região para verticalizar ainda mais”, falou Bodião.
Moradora da região e conselheira do Cades (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), Maria do Carmo Lofti explicou que a região do Campo Grande é a mais carente de área verde da Subprefeitura de Santo Amaro.
“Enquanto Campo Belo e Santo Amaro têm seus parques e suas praças, lá tem pouquíssimo verde. Nós queremos aproveitar esse espaço onde já temos árvores ali para transformar em um parque. É uma demanda da comunidade. Nós temos três escolas vizinhas que estão abraçando essa campanha e estamos aqui para defender essa ideia em nome de todos.”
A aposentada Gleice Maria de Vasconcelos mora na região desde 1975. Ela fez questão de vir até o Palácio Anchieta para pedir a criação do Parque do Telefunken. “Uma atividade econômica, apesar de ter a sua importância, geralmente causa danos à vizinhança. E um parque no local é tudo o que a comunidade quer. Será bom para respirar melhor, para ter um conforto ambiental, além de ser muito importante neste momento de emergência climática”.
Já a representante da comunidade do Jardim Sabará – Campo Grande, Santo Amaro e região – Crislei Custódio lembrou que a demanda pela criação do parque acontece há mais de 25 anos.
“Em 1999 já havia um projeto para transformar o terreno da fábrica em um parque público. Há previsão no Plano de Intervenção Urbana do Arco Jurubatuba, mas nada de fato aconteceu. Nós temos um adensamento populacional imenso na região com cada vez mais prédios. Por isso, queremos que essa questão evolua e beneficie a todos.”
Assessores da SVMA (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente), da Smul (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento), da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte), da Subprefeitura de Santo Amaro, do Ministério Público e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) participaram da audiência pública. Todos se colocaram à disposição para levar as demandas apresentadas aos órgãos responsáveis e se comprometeram em responder aos questionamentos posteriormente.
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