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Home»São Paulo - Capital»Projeto de vôlei inclusivo transforma a rotina escolar na EMEF Cleómenes Campos 
São Paulo - Capital

Projeto de vôlei inclusivo transforma a rotina escolar na EMEF Cleómenes Campos 

RedacaoBy Redacaomarço 10, 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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Com informações da Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo

Projeto de vôlei inclusivo transforma a rotina escolar na EMEF Cleómenes Campos 

Vôlei promove a participação ativa de estudantes com deficiência física e neurodivergentes na modalidade esportiva 

Publicado em: 09/03/2026 15h21 | Atualizado em: 09/03/2026Estudantes participam de uma atividade de vôlei inclusivo em uma quadra escolar. Entre eles, um aluno em cadeira de rodas integra a dinâmica do jogo junto aos colegas, que acompanham o movimento da bola

Quando a bola de vôlei rompe o silêncio na quadra esportiva da EMEF Cleómenes Campos, zona sul da capital, algo mais do que especial acontece: o som do saque ecoa, mãos se erguem confiantes e olhos acompanham atentos cada movimento. Entre passes, sorrisos e desafios superados ponto a ponto, o que está em jogo vai muito além do placar: ali, a inclusão deixa de ser discurso e se transforma em prática cotidiana. 

É neste cenário que o projeto “Voleibol”, desenvolvido pela professora Rildevânia Alves Monteiro, 48 anos, tem transformado a rotina escolar, garantindo que estudantes do Ensino Fundamental II, inclusive aqueles com deficiência física e neurodivergentes, tenham espaço e fortaleçam a convivência. Criada como atividade complementar às aulas regulares de Educação Física, a proposta tem promovido um estilo de vida mais ativo e inclusivo entre os participantes.  

“O objetivo central é favorecer a inserção dos estudantes no grupo, respeitando os limites individuais e as especificidades de cada um. Não há restrições quanto às condições dos jogadores, uma vez que o projeto pertence à escola e adota uma perspectiva inclusiva. Assim, aqueles que têm deficiência e neurodivergentes são considerados em igualdade de condições, tendo garantido o direito de participação”, destaca a professora. 

Na prática, as adaptações para o vôlei acontecem de forma sensível e estratégica: rede em altura reduzida, área de saque mais próxima, ampliação do número de toques, flexibilização de regras e uso de bolas oficiais mais macias, especialmente pensando nos estudantes cadeirantes. Em alguns momentos, as regras oficiais são seguidas com rigor; em outros, prevalece o “segue o jogo”, para garantir fluidez, participação e prazer na prática esportiva. 

Outro diferencial é a construção coletiva das aulas. “Os próprios estudantes participam das decisões: indicam posições em que se sentem mais confortáveis, sugerem atividades e ajudam a definir combinados do grupo. Esse protagonismo fortalece a autonomia e cria um ambiente de respeito às diferenças”, reforça Rildevânia. 

Em 2025, cerca de 60 estudantes integraram as turmas do projeto, e ainda houve lista de espera. Entre eles, dois com deficiência física e com TEA, Síndrome de Waardenburg, Deficiência Intelectual, TDAH e TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central). Os resultados já aparecem dentro e fora da quadra. No aspecto físico, os estudantes desenvolvem coordenação, noção espacial e condicionamento. No campo emocional, tornam-se mais resilientes e confiantes. Socialmente, aprendem a cooperar, respeitar regras e trabalhar em equipe.  

“O projeto de voleibol tem ajudado a fortalecer ações de inclusão que já aconteciam na escola. Talvez ele tenha trazido mais conscientização para a equipe sobre a superação de limites dos estudantes com deficiência, incentivando a participação de todos os estudantes para uma cultura de colaboração”, completa a professora de Educação Física. 

Os depoimentos dos estudantes também revelam o impacto real da iniciativa. Um estudante de 12 anos, participante há um ano, conta que começou tímido, mas hoje se sente mais confiante, fez novos amigos e percebe melhora na atenção e na força física. Outro, de 15 anos, destaca o aumento da concentração, da coordenação motora e da disposição para as aulas. Ambos resumem a experiência com simplicidade: “O vôlei ajudou em tudo”, concluem. 

Com apoio da gestão, o projeto seguirá ativo neste ano, com pelo menos duas turmas no contraturno, e já influencia outras práticas inclusivas na unidade, fortalecendo uma cultura escolar mais aberta, participativa e acolhedora. 

Acompanhe todas as notícias da Rede Municipal de Educação.


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