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Home»São Paulo»Só ir à academia não basta: entenda por que o exercício diário não elimina risco de sedentarismo
São Paulo

Só ir à academia não basta: entenda por que o exercício diário não elimina risco de sedentarismo

RedacaoBy Redacaomaio 3, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Praticar atividades físicas regularmente é extremamente importante para a saúde, tanto no presente quanto para um bom envelhecimento no futuro, ajudando na prevenção de diversas doenças e na melhora da qualidade de vida. No entanto, o que muitos não sabem é que apenas se exercitar não elimina completamente o sedentarismo, e esse comportamento já tem um nome muito conhecido por especialistas: active couch potato. É o que explica o professor Paulo Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP.

“O active couch potato é aquela pessoa que atende à recomendação mínima de atividade física, vai à academia, treina por uma hora, às vezes uma hora e meia, de três a cinco vezes na semana, mas passa o restante do dia inativa. Não é necessariamente alguém ‘preguiçoso’, pode ser quem trabalha em home office ou em escritório e fica sentado a maior parte do tempo, acreditando que o exercício compensa o resto do dia parado. Essa pessoa pode até ter bom condicionamento, mas o tempo excessivo de inatividade não é anulado pelo treino.”

LEIA TAMBÉM: Febre amarela pode se espalhar com mais intensidade perto de metrópoles, mostra estudo da USP

Sobre o comportamento

Esse comportamento é comum na vida da maioria das pessoas no mundo moderno, já que um dos principais fatores desse estilo de sedentarismo é o modo de vida urbano atual. No passado, trabalhos com atividade física eram mais constantes, como os do campo e outros que exigiam maior movimentação. Com a modernização, esse padrão se tornou mais raro. Hoje há mais praticidade devido às inovações tecnológicas, mas, por outro lado, isso faz com que as pessoas passem grande parte do tempo sentadas, em frente a telas ou dirigindo por horas, como afirma Santiago.

“Motoristas de aplicativo, por exemplo, ficam horas no carro, que exige pouco esforço. A praticidade da vida moderna também reduz o movimento: depois do treino, muita gente continua no celular, usando controles remotos e aparelhos que fazem tudo. Com isso, pequenas oportunidades de movimento do dia a dia, como tarefas domésticas, vão desaparecendo, o chamado Neat (Non-Exercise Activity Thermogenesis), que é a energia que o corpo gasta em atividades diárias que não são exercícios estruturados.”

LEIA TAMBÉM: SP confirma segundo caso importado de sarampo; Governo reforça importância da vacinação

Só ir na academia não basta

A alta da cultura fitness na atualidade é extremamente positiva para a saúde e o bem-estar geral das pessoas. Porém, muitos ainda têm uma visão equivocada sobre essa “saúde”, adotando o famoso “tá pago” como forma de compensar o restante do dia de inatividade, associando apenas a prática de exercícios à saúde e desconsiderando o comportamento sedentário ao longo do dia.

“O exercício físico é importante para a saúde, mas não pode ser visto como um ‘passe livre’ ou aquela sensação de ‘tá pago’. A pessoa treina e acha que pode passar o resto do dia parada, e isso não é verdade. O treino é fundamental e insubstituível, mas o comportamento ao longo das 24 horas, fora da academia, é o que dita a base do nosso funcionamento metabólico e postural”, explica Santiago.

O tempo prolongado em inatividade, especialmente em posições como ficar sentado por horas, pode provocar uma série de impactos no organismo, que vão além do desconforto momentâneo. Esse comportamento está associado a alterações prejudiciais ao funcionamento corporal.

“Essa conduta traz impactos metabólicos e cardiovasculares, como aumento do risco de resistência à insulina, alterações no colesterol, acúmulo de gordura visceral e maior predisposição a doenças cardiovasculares. Também há piora da circulação, inchaço, alterações no humor e na disposição. Além disso, a postura sentada crônica pode gerar encurtamentos musculares, enfraquecimento e dores, com perda de mobilidade, força e função no dia a dia. Com o tempo, esse padrão pode ter um efeito semelhante ao de um envelhecimento precoce”, afirma o especialista.

Movimentação ideal

De acordo com estudos da literatura científica, há um intervalo recomendado para interromper longos períodos sentado ou na mesma posição, com o objetivo de reduzir os efeitos do sedentarismo prolongado. Santiago aponta que essas pausas ao longo do dia ajudam a manter a circulação ativa, diminuem a sobrecarga no corpo e contribuem para o funcionamento metabólico adequado, especialmente em rotinas marcadas por muitas horas de inatividade.

“A recomendação é quebrar o tempo sentado a cada 30 a 60 minutos, levantar, caminhar ou só alongar as pernas por alguns minutos. É como nas pausas em viagens longas, para manter o fluxo sanguíneo. A ideia é se movimentar ao longo do dia, e não ficar longos períodos totalmente inativo, como acontece na rotina atual”, completa.

Diante deste cenário, o professor Paulo Santiago aponta que pequenas mudanças no ambiente e nos hábitos podem ajudar a reduzir esse tempo parado, incorporando mais movimento ao longo do dia sem comprometer a produtividade.

“A gente pode adotar estratégias simples, como alternar entre ficar sentado e em pé, usar mesas ajustáveis ou improvisar apoios para trabalhar em pé em alguns momentos. Também vale criar situações que obriguem a se movimentar, como levantar para buscar água, deixar a impressora mais distante ou até fazer reuniões caminhando. São pequenas mudanças na rotina que ajudam a evitar ficar parado o tempo todo.”

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Com informações da Agência São Paulo

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