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Home»São Paulo - Capital»O desafio do Super El Ninõ para a construção de cidades resilientes
São Paulo - Capital

O desafio do Super El Ninõ para a construção de cidades resilientes

RedacaoBy Redacaojulho 7, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

Eventos climáticos extremos estão acontecendo no mundo todo: calor extremo na Europa e no Sul da Ásia, chuvas torrenciais no Sul do Brasil, causando destruição e mortes. As notícias indicam que o fenômeno El Niño já começou, e cientistas alertam, há meses, para a possibilidade de este ser o mais forte dos últimos 150 anos.

A responsabilidade é do sistema capitalista predatório, das grandes corporações e dos países mais ricos, que não cumprem as metas dos pactos climáticos, apesar de serem os maiores poluidores e predadores do planeta. São esses mesmos países que optam por investir em combustíveis fósseis, petróleo e gás natural, em vez de priorizar fontes de energia limpa e sustentável. As metas climáticas para 2030, que buscavam limitar o aquecimento global a 1,5 °C, já foram ultrapassadas. Estamos diante de uma espécie de ponto de não retorno.

O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, anunciou, em 30 de junho, um plano de R$ 9,8 bilhões para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos do Super El Niño e das mudanças climáticas. O plano prevê ações de prevenção e ampliação da capacidade de resposta nos territórios atingidos por eventos extremos nas cinco regiões do país. Também foi criada a ferramenta Painel Nacional de Excesso de Calor para monitorar riscos relacionados às altas temperaturas e emitir alertas com até cinco dias de antecedência, permitindo que gestores e serviços de saúde adotem medidas preventivas, especialmente para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

E o que o governo da nossa cidade está fazendo? Os impactos esperados para a primavera já começaram neste início de inverno com chuvas acima do normal. Todos os anos somos afetados pelos eventos climáticos, por que nunca estamos preparados para enfrentar enchentes, ondas de calor extremo, deslizamentos e quedas de energia?

Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes escolheu investir R$ 4,5 bilhões em incineradores e, para isso, pretende derrubar milhares de árvores na Zona Leste da cidade, em uma área de Mata Atlântica. Em vez de implementar uma política consistente para resíduos sólidos e orgânicos, aliada à educação ambiental, ignora a ciência, que aponta a arborização urbana como uma estratégia essencial para enfrentar o aquecimento global.

Ondas de calor extremo são esperadas na cidade já a partir de setembro e, infelizmente, podemos imaginar o pior cenário: calor extremo com racionamento de água significa mais mortes. O Sistema Cantareira entrou em faixa de alerta nesta semana. O principal manancial que abastece a Grande São Paulo encerrou junho com apenas 39,87% do volume útil.

Com a privatização promovida pelo governador Tarcísio de Freitas, assistimos à precarização dos serviços da SABESP, antes uma empresa sólida, competente e focada na excelência do abastecimento. Agora, privatizada e voltada ao lucro de seus acionistas, registra um aumento inaceitável de acidentes, como o ocorrido em Mairiporã, que deixou um rastro de destruição e mortes. Equipes terceirizadas, muitas vezes sem qualificação técnica adequada, têm provocado rompimentos de dutos de gás em São Paulo e, por sorte, ainda não tivemos uma tragédia com explosões e mortes. Ainda assim, parece que nada disso preocupa o governo do estado mais rico do país.

É sabido que os eventos climáticos extremos impactam diretamente as populações periféricas, tornando famílias ainda mais vulneráveis e produzindo consequências econômicas, perdas materiais, dificuldades de deslocamento e impactos na saúde física e mental. Na periferia predomina a escassez de parques, praças e áreas verdes, um indicador da desigualdade climática e do racismo ambiental, que não vemos nos bairros mais ricos da cidade. Além do calor extremo, teremos também tempestades. E só quem mora em área de encosta conhece o terror de viver com medo de ser soterrado, porque a cidade não foi planejada para proteger quem vive nas áreas mais adensadas e vulneráveis.

As periferias não são frágeis; elas foram vulnerabilizadas pela negligência e por escolhas políticas que priorizam o capital. Incorporadoras recebem subsídios com recursos públicos para vender imóveis ao capital especulativo, enquanto esses mesmos recursos poderiam ser destinados à construção de casas resilientes, à contenção de encostas, ao desassoreamento de rios e córregos, à urbanização e à infraestrutura para a população que mais sofrerá as consequências desse Super El Niño.

E quais serão os desafios enfrentados pela classe trabalhadora nesse cenário de abandono e extremos climáticos? Viajar duas horas em um ônibus lotado e sem ar-condicionado para chegar ao trabalho. O entregador de aplicativo trabalhando sob temperaturas de 40 graus. Crianças estudando em escolas sem ventilação cruzada ou ar-condicionado. O vendedor ambulante exposto ao sol durante todo o dia. A população em situação de rua exposta ao calor extremo e às chuvas torrenciais. Profissionais da saúde e da educação trabalhando em condições extremas.

Como podemos mitigar esses transtornos e adotar protocolos de emergência capazes de minimizar seus impactos na cidade de São Paulo? O que nossa cidade tem planejado para enfrentar esse El Niño? A Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA) já possui um protocolo específico para esse período?

Diante da expectativa de calor extremo, como ficam as escolas, os hospitais e os cuidados com idosos e crianças? Precisamos trabalhar com prevenção, estar preparados para o que vier e elaborar planos de contingência para as áreas mais vulneráveis aos desastres. Ricardo Nunes, estamos minimamente preparados para sobreviver a este El Niño?

Nesse contexto de temperaturas elevadas e baixa umidade, também devemos enfrentar o aumento da proliferação de insetos, o que pode provocar uma nova epidemia de dengue e maior incidência de escorpiões-amarelos. Como a área da saúde está se preparando para esse período?

Resta saber o que o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes estão, de fato, planejando e executando como medidas preventivas e de proteção à população. Este é um chamado à responsabilidade dos gestores da cidade mais rica do país, que também deveria ser a mais preparada para enfrentar eventos climáticos extremos.

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