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Orçamento 2027: atenção às periferias e prevenção a enchentes marcam audiência sobre mudanças climáticas

RedacaoBy Redacaooutubro 28, 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

Nesta quarta-feira (28/10), a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo promoveu a 4ª audiência pública temática sobre o orçamento de 2027 da capital paulista, proposto por meio do PL (Projeto de Lei) 752/2026.

No encontro de hoje foram discutidos os valores previstos para as políticas de enfrentamento mudanças climáticas, incluindo as ações ambientais na área de transporte. O debate contou com a participação das secretarias municipais do Verde e do Meio Ambiente, Mobilidade Urbana e Transporte e Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas.

A SVMA (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente) é o órgão responsável pelas políticas de defesa, conservação e gestão ambiental do município. Para a pasta, a Prefeitura prevê um orçamento de R$ 772 milhões para o próximo ano.

Já para a SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte), responsável por formular, gerir e fiscalizar as políticas de mobilidade sustentável na cidade, o valor previsto é de R$ 14 bilhões.

Secretaria do Verde e do Meio Ambiente

Ao apresentar a proposta orçamentária, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley de Abreu Soares Júnior, ressaltou o crescimento dos recursos destinados à área desde 2020. “Nosso destaque é o avanço do orçamento, que subiu 182% de 2020 a 2027. Sabemos que a questão do meio ambiente é uma necessidade de sobrevivência. No passado, muitos trataram como questão lateral, hoje ela é central e transversal a todas as secretarias”.

Com 83,75% dos recursos (R$ 718,3 milhões) financiados pelo Tesouro Municipal e cerca de 6% (R$ 53,7 milhões) por operações de crédito, o orçamento prioriza a preservação e a expansão das áreas verdes da cidade. De acordo com a proposta, mais de R$ 434 milhões serão direcionados à manutenção e implantação de parques, além de R$ 80,8 milhões para unidades de conservação e R$ 39,5 milhões divididos entre projetos de arborização urbana e viveiros.

Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte

Representando a SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte), o analista de políticas públicas João Bonett apresentou ações alinhadas para a descarbonização da frota. Ele destacou que R$ 2,2 bilhões deverão ser utilizado para a eletrificação da frota e a melhoria da gestão do sistema de transporte coletivo.

“O objetivo de estarmos aqui apoiando os outros secretários é porque algumas ações de transporte tem um cruzamento importante com a temática de mudanças climáticas. Uma das principais ações que a Prefeitura vem conduzindo é a eletrificação dos ônibus municipais, que neste ano conta com uma frota de mais de 2 mil ônibus, para que a cidade reduza 87 toneladas de gás carbônico por ano e evite o consumo de diesel”, disse.

O projeto prevê ainda R$ 1,4 bilhão para a implantação do Bonde São Paulo (VLE – Veículo Leve Elétrico), um sistema de transporte moderno sobre pneus com guias virtuais projetado para revitalizar a mobilidade urbana no Centro Histórico. Já a renovação da frota por veículos movidos a biometano tem orçados R$ 500 milhões.

Bonett também destacou o aumento do orçamento para o próximo ano: “A estrutura orçamentária saiu de R$ 12,3 bilhões em 2026 para uma proposta de R$ 14,9 bilhões, um aumento de 21,42%”.

Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas

O debate também contou com a presença de José Renato Nalini, secretário executivo de Mudanças Climáticas. Durante sua apresentação, Nalini explicou que a SECLIMA (Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas) não possui orçamento próprio por ser vinculada à Secretaria de Governo Municipal, atuando como um órgão de articulação entre as diferentes áreas da Prefeitura.

“Nossa missão é articular as ações dentro da municipalidade, para que todas as secretarias coloquem em seu radar a questão mais séria que a humanidade está enfrentando: o aquecimento global”, disse o Nalini.

O secretário destacou que, entre 2024 e 2025, foram investidos R$ 40 bilhões em ações ambientais e de combate às mudanças climáticas por meio do Orçamento Climático — ferramenta que inclui metas ecológicas diretamente no orçamento da cidade, com base no PlanClima SP (Plano de Ação Climática de São Paulo). Esse mecanismo garante transparência e assegura que os recursos públicos apoiem a redução de emissões de carbono e a justiça climática.

Segundo Nalini, o Plano Plurianual (PPA 2026–2029) prevê R$ 122 bilhões para a agenda climática nos próximos anos. Desse total, ele destaca R$ 6,5 bilhões para melhorias no sistema de drenagem e cerca de R$ 360 milhões para obras de contenção em áreas de risco geológico.

“Macrodrenagem, microdrenagem, desentupimento de bueiros, vagas verdes, jardins de chuva, tudo isso leva uma boa parte do orçamento. Essas são medidas para diminuir os riscos de eventos extremos na cidade”, concluiu o secretário.

Participação popular

A audiência abriu espaço para a tribuna popular. Mais de 20 pessoas se inscreveram para apresentar suas demandas e opinar sobre a destinação dos recursos. Representante do coletivo CPM Lideranças SP, Gilberto Macedo acredita que as secretarias deveriam olhar mais para as periferias da cidade: “Onde moramos, na periferia da zona sul, sofremos muito com enchentes, as pessoas perdem tudo. Às vezes, dependemos da solidariedade das pessoas que moram perto. Mas no centro, as coisas são diferentes, as pessoas têm muito mais recursos e nós das periferias, temos menos”.

Fábio Sanchez, membro do Fórum Verde Permanente, criticou a redução da participação da Secretaria do Verde no orçamento municipal e apontou a importância de investir na capacidade da cidade de absorver a água da chuva.

“Numa cidade como São Paulo, que vive eventos tão trágicos quanto essas enchentes que houve aqui dias atrás, é extremamente importante você investir na porosidade da cidade, Então, num momento tão importante como esse, estamos vendo uma redução, na verdade, do orçamento da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Em termos percentuais, ele caiu de 0,55% do orçamento da cidade para 0,53%. E é uma redução em algumas partes muito importantes do orçamento. Por exemplo, fiscalização, manutenção e requalificação de parques. Isso tudo é extremamente importante para a gente ter uma cidade mais resiliente. E não parece ser o caminho que os planejadores do orçamento municipal estão seguindo”, disse Fábio.

Regina Machado, integrante do Fórum do Idoso da Mooca, cobrou a inclusão de metas e recursos específicos para proteger a população idosa dos impactos das mudanças climáticas no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027.

“Mais de 184 mil idosos vivem em situação de vulnerabilidade social. As mudanças climáticas afetam a população de forma profundamente desigual e a pessoa idosa está na linha de frente do risco. Nos alagamentos que assolam as periferias, essa dificuldade é ainda maior. Cobramos que as secretarias abandonem o planejamento genérico. Uma cidade que não adapta suas estruturas para a população mais idosa diante dos eventos climáticos falha em seu dever constitucional primário”.

Já Claudia Campelo de Oliveira, conselheira do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Butantã, defendeu a ampliação do projeto Pontos de Economia Solidária para todas as regiões da cidade. A proposta, segundo ela, pode contribuir para a sustentabilidade e o fortalecimento de iniciativas comunitárias.

“Esses equipamentos têm o objetivo de desenvolvimento sustentável para quem está no projeto de reinserção de habitação social. Queremos mais pontos de economia solidária junto aos centros de convivência, porque, dentro desse equipamento, visamos a sustentabilidade com alimentação mais saudável, produtos orgânicos, hortas comunitárias e, com isso, a defendemos a natureza. E por isso que eu estou aqui reivindicando que estejamos no próximo planejamento”.

Vereadores

A vereadora Renata Falzoni (PSB), integrante da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica, questionou a verba prevista para os sistemas de drenagem do município: “Para drenagem urbana, está previsto o valor de R$1,6 bilhão para 2027,ou seja, R$ 489 milhões a menos do que está no Plano Plurianual. E estamos diante de uma cidade que enfrenta ano após ano problemas gravíssimos como enchentes e eventos climáticos extremos, o que torna urgente a necessidade de investir na prevenção e adaptação de permeabilização da cidade”.

Para o vereador João Ananias (PT), presidente da Comissão de Finanças, a audiência trouxe questões fundamentais para os parlamentares: “Tivemos um debate muito importante sobre mananciais, áreas verdes, nascentes e parques da cidade de São Paulo. Precisamos de uma política que melhore o município. É importante trazer esse tema, porque vamos sim precisar transformar a cidade, mas isso só acontece com a participação democrática do povo. Foi uma audiência boa e é importante continuar nessa divergência, mas buscando soluções para melhorar São Paulo”.

Por fim, o relator da LOA 2027, vereador Marcelo Messias (MDB), ressaltou o desafio de equilibrar a proposta orçamentária: “O orçamento da cidade de São Paulo não é fácil. Quando ouvimos as pessoas falando, parece simples tirar valor de um lugar e colocar em outro, mas é um desafio muito grande para os vereadores, para os moradores e principalmente para o relator. Mas estamos avançando, a cidade não está parada, e esse reconhecimento é importante”.

Também participaram da audiência pública os parlamentares: Fabio Riva (MDB), Marina Bragante (PSB), Silvinho Leite (UNIÃO) e Gilberto Nascimento (PL). Confira a íntegra neste link.

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