Evento aborda os desafios e estratégias para tornar as cidades mais inclusivas e sustentáveis para a população longeva e o papel da educação e do esporte na promoção do envelhecimento ativo
A 7ª edição do Fórum São Paulo da Longevidade, principal encontro nacional dedicado à geração prateada, segue reunindo um público diverso e engajado no Expo Center Norte, em São Paulo, nesta terça-feira (28).
Com uma programação intensa e inspiradora, o evento conta com mais de 250 palestrantes, debatedores e especialistas das áreas de saúde, tecnologia, economia prateada, cultura, educação, urbanismo, empreendedorismo, turismo e comunicação, que discutem o futuro de uma sociedade cada vez mais longeva.
No segundo dia de evento, a Conferência Internacional Cidades Amigas do Idoso trouxe foco para as transformações demográficas e o envelhecimento populacional em grandes centros urbanos.
A sessão foi conduzida pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR). Kalache foi o idealizador do programa Cidade Amiga do Idoso, criado durante seu período como diretor do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra.
Ele destacou que o século XXI é marcado por dois fenômenos demográficos irreversíveis: o envelhecimento e a urbanização. “Pela primeira vez na história, mais pessoas vivem em zonas urbanas do que rurais. Esse é um ponto de virada na humanidade, e a questão é se as cidades estão realmente preparadas para envelhecer”, afirmou Kalache, lembrando que o projeto Cidade Amiga do Idoso nasceu da necessidade de repensar o espaço urbano a partir da perspectiva da população idosa.
O estudo piloto do programa, segundo ele, começou no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, e inspirou a criação de uma rede global de comunidades comprometidas com o envelhecimento saudável.
Representando a OMS, Thiago Hérick de Sá, responsável técnico pelo programa Age-friendly Environments, lembrou que a longevidade é um êxito da humanidade, mas trouxe consigo novos desafios. “Estamos vivendo mais, porém nem sempre com mais saúde”, alertou. Ele destacou que a pandemia de Covid-19 reduziu a expectativa de vida em todo o mundo e que o foco agora deve ser garantir qualidade de vida e funcionalidade na velhice.
Thiago ressaltou que a velocidade do envelhecimento populacional é desigual entre os países. Enquanto a França levou quase cem anos para dobrar sua população com mais de 60 anos, o Brasil alcançou a mesma marca em apenas 25. “Isso mostra a urgência de políticas públicas adaptadas à realidade de cada país”, disse. Ele defendeu que pessoas idosas devem ser protagonistas nas decisões que afetam suas vidas e não apenas beneficiárias. “Os idosos devem ser defensores e co-implementadores das iniciativas que os impactam”, reforçou.
A OMS mantém hoje uma Base Global de Boas Práticas Amigas da Pessoa Idosa, com mais de 900 iniciativas implementadas em cidades ao redor do mundo. São experiências que vão desde políticas de transporte e habitação até programas de engajamento comunitário e inclusão digital, todas com o objetivo de tornar os ambientes urbanos mais acessíveis, acolhedores e intergeracionais.
Entre as experiências internacionais, um dos destaques foi apresentado pela vice-prefeita de Saúde e Serviços Humanos de Nova York (EUA), Suzanne Miles. A cidade norte-americana, que tem 1 milhão de idosos (cerca de 20% da população) lançou o programa HealthyNYC, com a meta de elevar a expectativa de vida média para 83 anos até 2030.
Segundo Suzanne, o plano se baseia em quatro pilares: alimentação saudável, prevenção de doenças crônicas, saúde mental e envelhecimento com propósito. “O HealthyNYC é uma estrutura ampla que cobre todos os programas de longevidade com políticas públicas, inovação e compromisso comunitário para garantir uma cidade inclusiva para todas as gerações”, explicou.
Entre as iniciativas em curso estão o programa de medicina do estilo de vida, voltado à prevenção e reversão de doenças crônicas por meio de mudanças de hábitos; a distribuição anual de 20 milhões de refeições saudáveis com adequação cultural considerando as comunidades distribuídas; e projetos intergeracionais que aproximam idosos e jovens por meio do letramento digital, artes e narrativas comunitárias.
A vice-prefeita também destacou o Gabinete para População Idosa, criado em 2023, que reúne mais de 20 agências municipais para desenhar políticas integradas voltadas à longevidade. “Nosso objetivo é não apenas cuidar das pessoas idosas, mas empoderá-las. A abordagem mais sustentável é aquela baseada na inclusão. Envelhecer com dignidade é um direito que deve estar no centro da agenda urbana”, afirmou.
A cidade de Nova York, segundo ela, tem buscado redefinir o que significa envelhecer no século XXI. “Temos muito orgulho de caminhar ao lado de São Paulo, que compartilha a mesma visão de futuro e o mesmo compromisso com a longevidade”, declarou.
Educação e esporte como pilares da inclusão da pessoa idosa
A Conferência Internacional Cidades Amigas do Idoso destacou a educação e o esporte como eixos fundamentais para o acolhimento e a inclusão da pessoa idosa nas cidades.
Em palestras que reuniram diferentes áreas da gestão pública da cidade de São Paulo, a secretária executiva Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Maria Sílvia Bacila, e a assistente técnica das Atividades da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, Dinéia Mendes de Araujo Cardoso, apresentaram políticas e programas voltados ao envelhecimento ativo, à aprendizagem ao longo da vida e à valorização da sabedoria acumulada pelos longevos.
Para Maria Sílvia, pensar a educação para a longevidade é reconhecer que o aprendizado não se encerra em uma etapa específica da vida. “Temos diversas ações formais na rede municipal de ensino voltadas à população longeva. É um público que muitas vezes não teve acesso à escolarização no tempo considerado tradicional, mas isso não significa que perdeu o direito à educação. É uma obrigação das redes públicas oferecer oportunidades em outros períodos da vida”, afirmou.
Segundo ela, o município de São Paulo conta com cinco modalidades que atendem estudantes 60+: a Educação de Jovens e Adultos (EJA) Modular e Semestral, o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA), o Centro Municipal de Capacitação e Treinamento (CMCT) e o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA). “O nosso MOVA São Paulo é um grande movimento de aprendizagem, especialmente de alfabetização. Temos hoje 7.526 estudantes com mais de 60 anos, o que representa 27,3% dos atendidos nessas cinco modalidades”, destacou.
Além da escolarização formal, a secretária enfatizou que a educação para a longevidade também se expressa nos espaços de convivência, troca e cultura. “Nos nossos CEUs, há uma série de programas intergeracionais que integram educação, cultura, esporte e lazer. É fundamental que essas pessoas estejam em locais onde possam transmitir saberes, ouvir outros e continuar produzindo conhecimento. O conhecimento não está apenas nos livros ou nas telas, ele está dentro de nós, e essa capacidade de interpretação, criatividade e sabedoria é exclusivamente humana”, afirmou.
Com formação em psicopedagogia, Bacila ressaltou que o aprendizado é um processo contínuo e vital. “Quando alguém diz que já aprendeu tudo, penso que essa pessoa está dizendo que já morreu, porque nós nunca paramos de aprender. Estamos sempre nos transformando, revisitando nossas crenças, relações e modos de ver o mundo. Na longevidade vivemos talvez o melhor tempo de nossas vidas, esse tempo prateado, em que somos convidados a nos revisitar e a brindar a sabedoria com novas possibilidades”.
A dimensão do esporte e do lazer também foi apresentada como parte essencial da inclusão e bem-estar da pessoa idosa. Dinéia explicou que a missão da pasta é formular políticas públicas que incorporem a atividade física e o lazer como hábitos de vida saudável. “Atendemos cerca de 10 mil pessoas idosas por mês nos 46 centros esportivos e 234 clubes da comunidade espalhados pela cidade, por meio de programas regulares que incluem desde academias ao ar livre até práticas como dança, hidroginástica, pilates, meditação, musculação e voleibol adaptado”, contou.
Entre as principais iniciativas, Dinéia destacou os Jogos Municipais da Pessoa Idosa de São Paulo (JOMI), criados em 2014. “É um campeonato esportivo com todas as adequações necessárias para promover o exercício físico e a integração social. Na etapa municipal de 2025, tivemos 841 competidores idosos, o que mostra o crescimento e a força dessa ação”, disse.
Outro programa que se consolidou ao longo dos anos é o ‘Vem Dançar’, criado em 2007, que promove bailes voltados à socialização e à saúde física e emocional. “Até outubro de 2025, já realizamos 167 bailes, com 215 mil pessoas atendidas e uma média de 1.500 participantes por evento. Esses momentos são fundamentais para manter a autoestima e o senso de comunidade”, destacou Dinéia.
A programação da Conferência Internacional Cidades Amigas do Idoso, integrada ao Fórum São Paulo da Longevidade, reforçou a convergência entre diferentes áreas da gestão pública — educação, esporte, cultura e saúde — como caminho para tornar as cidades mais acolhedoras e preparadas para a população longeva.
Serviço:
Fórum São Paulo da Longevidade 2025
Data: 27 a 29 de outubro de 2025
Local: Expo Center Norte – São Paulo/SP
Cerimônia de abertura: 27/10, às 10h30
Programação:: www.longevidade.com.br
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